Uma nova fase para as línguas do Brasil

Você cresceu ouvindo seus pais, avós ou vizinhos falarem uma língua além do português?

Talvez você mesmo fale uma segunda língua, ou falava, mas há muito ela deixou de fazer parte de seu cotidiano. Talvez hoje em dia apenas a compreenda.

Se a resposta for sim, você faz parte de uma realidade que durante muito tempo recebeu pouca atenção oficial no Brasil.

No dia 23 de junho de 2026, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) lançou a nova plataforma digital do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), o IPOL e outras instituições.

Inventário Nacional da Diversidade Linguística – INDL

À primeira vista, a notícia pode parecer distante da realidade da maioria das pessoas. Afinal, trata-se de uma plataforma apresentada em Brasília por representantes de órgãos públicos, universidades e instituições culturais. No entanto, o assunto está diretamente relacionado à vida de milhões de brasileiros que cresceram ouvindo, falando ou convivendo com mais de uma língua.

Durante muito tempo, os brasileiros aprenderam na escola que o Brasil era um país de uma única língua: o português.

Na prática, porém, essa nunca foi toda a realidade.

Além do português, que somente superou a Língua Geral de base Tupi em meados do século XIX, o país sempre abrigou centenas de línguas indígenas. Também vieram as línguas africanas e formaram-se as línguas resultantes da imigração, sem deixar de mencionar o lugar especial da língua de sinais e outras formas de expressão linguística desenvolvidas ao longo de sua história.

Entre autóctones e alóctones, mais de duzentas continuam sendo faladas hoje em famílias e comunidades, raramente aparecendo nos livros escolares, nos meios de comunicação ou nas políticas públicas.

Ao longo do século XX, predominou a ideia de que o progresso e a modernização passavam pela adoção cada vez mais ampla da língua nacional. Em muitas regiões, isso contribuiu para que línguas comunitárias fossem gradualmente abandonadas. Pais deixaram de transmiti-las aos filhos. Crianças aprenderam que falar a língua da família era algo menos importante do que falar o português. Em muitos lugares, a língua dos avós passou a ser vista como um vestígio do passado, algo destinado a desaparecer com o tempo.

Muitas pessoas ainda sentem os efeitos desse processo. Há quem lamente não ter aprendido a língua dos avós. Há quem a compreenda, mas não consiga mais falá-la. Há também quem tenha crescido ouvindo que determinadas línguas eram inadequadas para a escola, para a cidade ou para a vida moderna.

Nas últimas décadas, porém, uma mudança importante vem ocorrendo em diversas partes do mundo.

Cada vez mais países, universidades, comunidades e organismos internacionais passaram a reconhecer que a diversidade linguística faz parte do patrimônio cultural da humanidade. A ideia não é substituir as línguas nacionais nem criar divisões artificiais, mas compreender que diferentes línguas podem coexistir e enriquecer a vida cultural das sociedades onde são faladas.

O Brasil também passou a participar desse movimento, por meio da adesão a tratados internacionais e da criação de políticas públicas voltadas à diversidade linguística.

A criação do Inventário Nacional da Diversidade Linguística foi um passo importante nesse sentido. Seu objetivo é identificar, documentar e valorizar as diversas línguas presentes no território brasileiro. O lançamento da nova plataforma representa mais um avanço, tornando informações e materiais mais acessíveis tanto para pesquisadores quanto para as próprias comunidades.

O evento de lançamento reuniu representantes do IPHAN, da Universidade de Brasília, do IPOL e de diversas comunidades linguísticas. Entre os participantes estavam gestores públicos, pesquisadores, especialistas em políticas linguísticas e representantes de línguas já inventariadas ou em processo de reconhecimento. Mais do que apresentar um novo portal na internet, as falas deixaram clara a percepção de que se trata do resultado de muitos anos de trabalho e colaboração.

O que está sendo construído é um importante arquivo digital, uma infraestrutura que poderá facilitar o acesso a informações, pesquisas, registros históricos, materiais audiovisuais e documentação produzida ao longo dos anos sobre as diversas línguas faladas no Brasil.

Para as comunidades locais, isso pode ter consequências bastante concretas.

Uma maior visibilidade da diversidade linguística pode favorecer a produção de materiais educativos, a formação de professores, a documentação da história local, a realização de projetos culturais, o fortalecimento de museus e arquivos comunitários, além da criação de novas parcerias entre municípios, universidades e organizações culturais.

Em outras palavras, trata-se de um assunto que não interessa apenas a pesquisadores ou órgãos governamentais. Ele pode influenciar diretamente a maneira como comunidades registram sua história, valorizam sua cultura e transmitem seus conhecimentos às futuras gerações.

O nosso Riograndenser Hunsrückisch (Hunsriqueano Riograndense) faz parte dessa realidade.

Seu processo de inventário junto ao INDL mobilizou pesquisadores, instituições e comunidades, resultando em extensa documentação e em parecer técnico favorável à sua inclusão no Inventário Nacional da Diversidade Linguística. Entre os envolvidos nesse trabalho estiveram pesquisadores da UFRGS e do IPOL, instituições que continuam desempenhando papel importante nas discussões sobre diversidade linguística no Brasil.

Na verdade, o Brasil não está descobrindo sua diversidade linguística, pois ela sempre esteve aqui.

O que está mudando é a forma como essa diversidade é reconhecida, documentada e valorizada.

Nenhuma plataforma preserva uma língua por si só. Línguas continuam existindo porque pessoas as falam, as ensinam aos filhos e as utilizam em sua vida diária. Ainda assim, iniciativas como esta ajudam a criar condições para que esse trabalho seja mais conhecido, mais valorizado e mais acessível.

Por isso, o lançamento da plataforma do INDL merece toda a nossa atenção.

Ele não representa apenas um ponto de chegada, mas mais um passo em um processo maior: o reconhecimento de que as línguas faladas pelas comunidades brasileiras não pertencem apenas ao passado. Elas também podem fazer parte do futuro.


Was das alles uns betreft, hier koorz uff Deitsch, meine liewe Leit:

Viele von unser Leit sinn uffgewachs mit meh wie en Sproch in der Familje, in der Gemeind orrer sogoor in ihre ganze Reschion. Zeit Jouhre schon hot ma’ immer so getun, als ob das en Sach von der Vergangheht wäer. Awer heitztooch denkt ma’ üwerall uff der Welt ganz annerster dodrüwer.

Der Artikel do uwe beschreibt en wichtige Schritt, wo grood in Bräsilje gemacht geb iss. Jou, es geht um Pesquisadorer, Unnersucher / Forscerer, Instituitione unn grousse Universitäte von unser Land. Es geht awer ooch um die Gemeinschafte, wo ihre Sproche, Geschichte unn Erinnrunge lewendich behalle wolle.

Die neie Plattform vom Inventário Nacional da Diversidade Linguística kann mit der Zeit uns helwe, Matriool dodofoar zusammersetze, Pesquisas leichter mache unn Kultua-Projekte unnersteetze. Solliche Sache passiere net nuar in Bräsilje sein Hauptstadt, ei in Brasília. Mit der Zeit kenne se Iinfluss honn uff Schule, Vereine, Musee’e, Gemeinde-Administratione unn Kultua-Initiative bei uns Derheem, in der Plätzer wo mear wohne.

Unser Deitsch, mit dem meh formool Noome Riograndenser Hunsrückisch, uff Bräsiljoonisch Hunsriqueano Riograndense, iss jo en wichticht Tehl von dodem grössrer Bild.

Dodrum lohnt es sich, dass mear wisse, was dodamit grood am passiere iss, was ma’ do uwe eich ausgeleht honn.

Halt eich schön woorrem unn gesund, weil die schlimme Kält do, ei die bleibt net für immer do …

-Paul Beppler

Wohear stammt das Wort Kalifornje?

Uarsprung unn Bedeitung vom Wort “Califórnia”, wie ma’ es im Süd vom Land Bräsilje schon längst kennt.

Host du dich schon mol drüwer üwerleht, was die echte Bedeitung von “Califórnia” iss, wolle ma’ soohn, ei wie es benutzt weerd im Noome von dem bekannte jäahrliche riograndenser “Califórnia da Canção Nativa” Festival? Ich kann es bescheid kloor losse, das iss keh nordamerikoonisches importierter Modismus. Naja, das alles gesooht, mache ma’ dann hier weiter …

1. Wohear dann kommt das Wort? Das, wo ich in unser Platt wie “Kalifornje” buchstabiere; wo im Kastilhoonisch unn im Englische “California”, ei in dem Fall ohne der schriftliche Akzent; unn dann im Bräsiljoonisch “Califórnia”, hier mit dem Akkut-Akzent?

Das Wort “California” (genau so schriftlich buchstabiert) kommt esrst ganz zurück im Joahr 1510 in enem kastilhoonische Ritter-Roman, so wie en „conto literário”, voar, ei unner dem Titel: “Las Sergas de Esplandián”. Dort woor Kalifornje en reich Insel mit en Könichin, wo “Calafia” gehesst hot. Die Könichin woor üwerstarrek unn hatt mit kriechrinne Froohleit gelebt. Der Name “Calafia” kommt seahr wahrscheinlich aus dem arabische Wort “kalifa” (uff Deitsch: Kalif), wo en muslimischer Herrscher bedeidt.

2. Spanjer nenne en Platz in Amerika “California”

Alswie spanische Welt-Exploratore um 1530 das earst mol bei der Reschion, wo heitztooch “Baja California” genännt iss, oonkomm sinn, im Land, wo heitztooch Mexiko genännt iss, honn die gegloobt, sie härre die mytische Insel echt gefunn. So hot das Land dort der Name “California” krieht. Später woor ooch das Gebiet, wo heitztooch der US-Bundesstoot Kalifornje iss, in Vereinichte Stoote von Amerika, ebfalls der seleiche Noome krieht.

3. Was bedeidt “Califórnia” in Südbräsilje?

Im süd von Bräsilje, voar allem im Bundesland Rio Grande do Sul, benutzte die Leit das Wort “Califórnia” schon lang bevoar dem heitztooch bekannte traditionoolle gausche Musikfestival. Es hot do zwooi verschiedne Bedeitunge:

• “Califórnia” = en Ferde-Renn, en Karrere, mit mehrre Reiter, wo do mitmache tun (das weerd schon zeit früh im 20. Joahrhunnert so mit dem Sinn benutzt).

• “Califórnia” = en riskante Aktion, wie die historische Kämffe von Chico Pedro in der domols Provinz von Sakt Petrus von Rio Grand do Sul, um 1850.

Dozu honn viele Leit ooch das Wort so benutzt: “Ahhh das iss jo en Kalifornje!”, gemmeent damit iss, ei das en Stück Land speziool gedeihe tut, wenns fruchtboor iss, weiter hin, im Sinn en Land voll mit unn Reiche unn Glück.

4. Das Musikfestival: “Califórnia da Canção Nativa” (freilich üwersetzt: Kalifornje von der riograndenser Gausch-Musik).

Im Joahrgang 1971 woar in der Stadt Uruguaiana en Musik-Festival gegründt, wo der alte Name “Califórnia” wieder benutzt unn in weitre Gebrauch gesetzt hot. Der neie Festival, die “Califórnia da Canção Nativa” woor dann konzebiert wie schöne Wettkamff mit Lieder, Mut, Kunst un Tradition.

5. Schlusswort / Resumiert:

Das Wort Kalifornje iss uarspringlich möchlist von arabische Hearkunneft, es tut earst uff enem Buch voarkomme, dann iss das Wort rüwerzus noh Amerika von der Kastilhooner hingetrooh … unn iss es dann ooch ewe im Süd von Bräsilje oonkomm; unn mit Zeit verwännert es sich zu enem spezifische Ausdruck für Wett, Mut unn Erfollich, ei im Mitte von der Natuar, uff der Kampagne, unn so iss es später dann ooch ren in der typische traditionsvolle gausch Musik ‘komm.

Origem e significado do termo “Califórnia” no sul do Brasil

1. De onde vem o nome “Califórnia”?

A palavra Califórnia surgiu pela primeira vez num romance espanhol de cavalaria (“Las Sergas de Esplandián”, 1510), onde era o nome de uma ilha imaginária governada por uma rainha chamada “Calafia”. O nome está ligado à palavra árabe “califa” (khalīfa), que significa líder ou sucessor — título usado por governantes muçulmanos.

2. Espanhóis deram o nome “Califórnia” a terras nas Américas

Quando exploradores espanhóis chegaram à península da atual Baja California, no atual México, por volta de 1530, pensaram ter encontrado a tal ilha lendária e a batizaram de Califórnia. Com o tempo, o nome foi estendido à região que hoje é o estado da Califórnia nos Estados Unidos da América.

3. E o uso no sul do Brasil?

No Rio Grande do Sul, o termo “califórnia” (com acento agudo na língua portuguesa moderna) já era usado no campo muito antes do famoso festival de música tradicional centrada na vida campeira sul-rio-grandense. Ele tinha pelo menos dois significados:

• Corrida de cavalos com vários competidores (já documentado no início do século XX).

• Incursões ousadas, como as notórias de Chico Pedro na Cisplatina, por volta de 1850.

Além disso, muita gente usava a designação califórnia para se referir a terras férteis, onde tudo dava e tudo dava certo também — uma espécie de sinônimo de sorte ou riqueza e abundância.

4. O festival “Califórnia da Canção Gaúcha”

Em 1971, na cidade de Uruguaiana, foi criado o festival com esse nome. A ideia era justamente resgatar o significado antigo da palavra, agora no plano cultural dominante no estado. Era uma competição artística que celebrava coragem, beleza e tradição no contexto da cultura sul-rio-grandense, mais especificamente abrangendo a identidade gaúcha.

5. Conclusão

O termo “Califórnia” viajou da língua árabe à ficção literária da Velha Castelha ao campo gaúcho sul-rio-grandense, e ganhou vida nova como um estimado símbolo cultural próprio. No sul do Brasil, virou sinônimo de coragem, abundância e identidade regional, destacando-se especialmente a partir da música gaúcha.

“O alemão falado no Rio Grande do Sul e suas transformações” por Erich Fausel

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UFRGS:ORGANON

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Derheem im Walachai

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DEITSCHBRASILIOONER IN DIE NACHRICHTEN:
Der deitschbrasiliooische Dokumentar-Film “Der Walachai”(*) von Diretora de cinema/Film-Regisseurin Rejane Zilles hot den vierte Platz (4.) krieht bei einem landweite Wettbewerb in Brasilien, wo vom BLOGDOC organisiert woo.

BLOGDOC? Naja, vielleicht frähchst du dich earsch mo, ei was das ist … Das ist en brasilioonische Netzplatz, wo zpeziell hergestellt woa für ‘diejenieche wo Dokumentare gern schaue tun’ – das meh orra wenich, in ehrer eichne Wörter, wie die sich dort sellebst schriftlich beschreibt honn.

Ungewöhnliche Wettbewerb: Was do noch Enbisschje ungewöhnlich ist für en Geschäftssektor wie die Filmindustrie, ist das jede ene von uns wo Derheem en Komputadoa hot, gewöhliche Leit so wie du und ich, könne ooch Filmkritiker sin und damit dann effektiv helfe den besten Film wähle – in dem Fall von dreiundfünnefzich (53), wo im Ganzen mit gemacht honn.

Und so, den 4.Platz kriehn von dreiundfünnefzich Filme wo allzusammen do mitgemacht honn, naja das ist goornet schlecht; ijo, weil wie ma sich richtich do driwer üwerleht, das heisst dann dass das Filmchjen ener von der bestbeliebte und höchschstbewärte Filmproduktione gewähl woo.

*Bitteschön, ma soll verstehn, dass es zwooi Plätze in der Welt gibt, wo Walachei/Walachei heisse – ens leiht in der Altkolonie-Gebiet im Bundesland Rio Grande do Sul, net weit wech von Porto Alegre – das, wo jetzt in der Nachrichte ist; dort is Rejane Zilles geboar und ooch uffgewachst woar… Und dann die anner Walachei, en ganz annerschtrer Platz, wo ooch Walachei hesst, wo awer weit weit wech, ganz hinne im Ost von Eirupe leihe tut, in Romänie.

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