Uma nova fase para as línguas do Brasil

Você cresceu ouvindo seus pais, avós ou vizinhos falarem uma língua além do português?

Talvez você mesmo fale uma segunda língua, ou falava, mas há muito ela deixou de fazer parte de seu cotidiano. Talvez hoje em dia apenas a compreenda.

Se a resposta for sim, você faz parte de uma realidade que durante muito tempo recebeu pouca atenção oficial no Brasil.

No dia 23 de junho de 2026, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) lançou a nova plataforma digital do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), o IPOL e outras instituições.

Inventário Nacional da Diversidade Linguística – INDL

À primeira vista, a notícia pode parecer distante da realidade da maioria das pessoas. Afinal, trata-se de uma plataforma apresentada em Brasília por representantes de órgãos públicos, universidades e instituições culturais. No entanto, o assunto está diretamente relacionado à vida de milhões de brasileiros que cresceram ouvindo, falando ou convivendo com mais de uma língua.

Durante muito tempo, os brasileiros aprenderam na escola que o Brasil era um país de uma única língua: o português.

Na prática, porém, essa nunca foi toda a realidade.

Além do português, que somente superou a Língua Geral de base Tupi em meados do século XIX, o país sempre abrigou centenas de línguas indígenas. Também vieram as línguas africanas e formaram-se as línguas resultantes da imigração, sem deixar de mencionar o lugar especial da língua de sinais e outras formas de expressão linguística desenvolvidas ao longo de sua história.

Entre autóctones e alóctones, mais de duzentas continuam sendo faladas hoje em famílias e comunidades, raramente aparecendo nos livros escolares, nos meios de comunicação ou nas políticas públicas.

Ao longo do século XX, predominou a ideia de que o progresso e a modernização passavam pela adoção cada vez mais ampla da língua nacional. Em muitas regiões, isso contribuiu para que línguas comunitárias fossem gradualmente abandonadas. Pais deixaram de transmiti-las aos filhos. Crianças aprenderam que falar a língua da família era algo menos importante do que falar o português. Em muitos lugares, a língua dos avós passou a ser vista como um vestígio do passado, algo destinado a desaparecer com o tempo.

Muitas pessoas ainda sentem os efeitos desse processo. Há quem lamente não ter aprendido a língua dos avós. Há quem a compreenda, mas não consiga mais falá-la. Há também quem tenha crescido ouvindo que determinadas línguas eram inadequadas para a escola, para a cidade ou para a vida moderna.

Nas últimas décadas, porém, uma mudança importante vem ocorrendo em diversas partes do mundo.

Cada vez mais países, universidades, comunidades e organismos internacionais passaram a reconhecer que a diversidade linguística faz parte do patrimônio cultural da humanidade. A ideia não é substituir as línguas nacionais nem criar divisões artificiais, mas compreender que diferentes línguas podem coexistir e enriquecer a vida cultural das sociedades onde são faladas.

O Brasil também passou a participar desse movimento, por meio da adesão a tratados internacionais e da criação de políticas públicas voltadas à diversidade linguística.

A criação do Inventário Nacional da Diversidade Linguística foi um passo importante nesse sentido. Seu objetivo é identificar, documentar e valorizar as diversas línguas presentes no território brasileiro. O lançamento da nova plataforma representa mais um avanço, tornando informações e materiais mais acessíveis tanto para pesquisadores quanto para as próprias comunidades.

O evento de lançamento reuniu representantes do IPHAN, da Universidade de Brasília, do IPOL e de diversas comunidades linguísticas. Entre os participantes estavam gestores públicos, pesquisadores, especialistas em políticas linguísticas e representantes de línguas já inventariadas ou em processo de reconhecimento. Mais do que apresentar um novo portal na internet, as falas deixaram clara a percepção de que se trata do resultado de muitos anos de trabalho e colaboração.

O que está sendo construído é um importante arquivo digital, uma infraestrutura que poderá facilitar o acesso a informações, pesquisas, registros históricos, materiais audiovisuais e documentação produzida ao longo dos anos sobre as diversas línguas faladas no Brasil.

Para as comunidades locais, isso pode ter consequências bastante concretas.

Uma maior visibilidade da diversidade linguística pode favorecer a produção de materiais educativos, a formação de professores, a documentação da história local, a realização de projetos culturais, o fortalecimento de museus e arquivos comunitários, além da criação de novas parcerias entre municípios, universidades e organizações culturais.

Em outras palavras, trata-se de um assunto que não interessa apenas a pesquisadores ou órgãos governamentais. Ele pode influenciar diretamente a maneira como comunidades registram sua história, valorizam sua cultura e transmitem seus conhecimentos às futuras gerações.

O nosso Riograndenser Hunsrückisch (Hunsriqueano Riograndense) faz parte dessa realidade.

Seu processo de inventário junto ao INDL mobilizou pesquisadores, instituições e comunidades, resultando em extensa documentação e em parecer técnico favorável à sua inclusão no Inventário Nacional da Diversidade Linguística. Entre os envolvidos nesse trabalho estiveram pesquisadores da UFRGS e do IPOL, instituições que continuam desempenhando papel importante nas discussões sobre diversidade linguística no Brasil.

Na verdade, o Brasil não está descobrindo sua diversidade linguística, pois ela sempre esteve aqui.

O que está mudando é a forma como essa diversidade é reconhecida, documentada e valorizada.

Nenhuma plataforma preserva uma língua por si só. Línguas continuam existindo porque pessoas as falam, as ensinam aos filhos e as utilizam em sua vida diária. Ainda assim, iniciativas como esta ajudam a criar condições para que esse trabalho seja mais conhecido, mais valorizado e mais acessível.

Por isso, o lançamento da plataforma do INDL merece toda a nossa atenção.

Ele não representa apenas um ponto de chegada, mas mais um passo em um processo maior: o reconhecimento de que as línguas faladas pelas comunidades brasileiras não pertencem apenas ao passado. Elas também podem fazer parte do futuro.


Was das alles uns betreft, hier koorz uff Deitsch, meine liewe Leit:

Viele von unser Leit sinn uffgewachs mit meh wie en Sproch in der Familje, in der Gemeind orrer sogoor in ihre ganze Reschion. Zeit Jouhre schon hot ma’ immer so getun, als ob das en Sach von der Vergangheht wäer. Awer heitztooch denkt ma’ üwerall uff der Welt ganz annerster dodrüwer.

Der Artikel do uwe beschreibt en wichtige Schritt, wo grood in Bräsilje gemacht geb iss. Jou, es geht um Pesquisadorer, Unnersucher / Forscerer, Instituitione unn grousse Universitäte von unser Land. Es geht awer ooch um die Gemeinschafte, wo ihre Sproche, Geschichte unn Erinnrunge lewendich behalle wolle.

Die neie Plattform vom Inventário Nacional da Diversidade Linguística kann mit der Zeit uns helwe, Matriool dodofoar zusammersetze, Pesquisas leichter mache unn Kultua-Projekte unnersteetze. Solliche Sache passiere net nuar in Bräsilje sein Hauptstadt, ei in Brasília. Mit der Zeit kenne se Iinfluss honn uff Schule, Vereine, Musee’e, Gemeinde-Administratione unn Kultua-Initiative bei uns Derheem, in der Plätzer wo mear wohne.

Unser Deitsch, mit dem meh formool Noome Riograndenser Hunsrückisch, uff Bräsiljoonisch Hunsriqueano Riograndense, iss jo en wichticht Tehl von dodem grössrer Bild.

Dodrum lohnt es sich, dass mear wisse, was dodamit grood am passiere iss, was ma’ do uwe eich ausgeleht honn.

Halt eich schön woorrem unn gesund, weil die schlimme Kält do, ei die bleibt net für immer do …

-Paul Beppler

A língua é de quem mesmo?

Wem gehöert unser Sproch?
Etwas zum Nohdenke …

Die deitsch Sproch gehöert zu dene Mensche, wo se spreche, rede, verzähle, babble, schwetze, quatsche …

Also net nuar zu dene Leit, wo en bestimmte Herkunft orrer Ethnia honn. Wear en Sproch lernt, sprecht unn se alswie en Tehl von seinem Lewe oonnemme tut, gehöert sicherlich zu der Sprochgemeinschaft von der Sproch. En Sproch lebt jo immer weiter doorrich ihre Sprecher.

Meine liewe Leit, ich will hier etwas seahr Intressantes mit eich tehle (ich kriehn awer keh Geld orrer nichts dodamit, gell?!). Es iss jo en neies Leahrbuch für unser Riograndenser Hunsrückisch Deitsch, geschrib von Estevam Fortunato, online im Internetz besser bekann alswie „Glossonauta”; unn dabei im Buchprojekt iss ooch Piter Keo – also die zwooi sinn jo weit unn breit in der Online-Sprochkreise bekannt. Also, wear meh do drüwer wisse möcht, kann sich hiedas Video dann mol oonschaue:

Viel Spass beim lerne!

Noch en Voartehl, wo ma’ sich im Sinn behalle kann: Das Lerne helleft dem Mensch jung bleiwe.

Meine liewe Leit, bittschen, verzählt jo Deitsch so oft wie möchlich mit eire klene Kinnercher, Enkelkinnercher unn mit all dene Leit, wo sich dodafoar intressiere.

Unn vergess net: Unser Deitsch bleibt bloos lewendich, wenn mear es verzähle – dodrüwer verzähle hesst leider net, dass ma’ es echt am verzähle iss, ijo gell net?!

Unn noch en letzletzte Gedank: Ei wie es schon oft doorrich die Zeite gesooht geb iss, en gute Mensch sin hesst net, dass ma’ en Tabbes iss.

Halt eich gesund unn munter.

–Paul Beppler

Wem gehöert unser Sproch?
Etwas zum Nohdenke …

O nosso alemão, o Hunsriqueano Riograndense, pertence às pessoas que o falam, o utilizam e o incorporam ao seu cotidiano.

Ou seja, uma língua não pertence apenas a quem possui determinada ascendência ou etnia. Quem aprende um idioma, passa a falá-lo e o torna parte de sua vida também passa a integrar essa comunidade linguística. As línguas permanecem vivas e seguem adiante por meio de seus falantes.

Pessoa, gente amada, quero compartilhar aqui algo muito interessante com vocês (mas não ganho nada com isso, nem dinheiro nem qualquer outra coisa, viu?!). Saiu um novo livro didático para o nosso Riograndenser Hunsrückisch, escrito por Estevam Fortunato, conhecido on-line como “Glossonauta”, e que conta também com a participação do Piter Keo no projeto — os dois são bem conhecidos nos círculos linguísticos on-line. Quem quiser saber mais, pode ver no vídeo acima.

Divirta-se aprendendo!

Mais uma vantagem que vale a pena lembrar: aprender ajuda a manter a mente jovem.

Meus amigos, por favor, falem alemão com seus filhos, netos e com todas as pessoas que se interessam pela língua.

E não se esqueçam: o nosso Riograndenser Hunsrückisch só permanece vivo quando é falado. Falar sobre a língua, infelizmente, não é a mesma coisa que falar a língua, não é mesmo?

E mais um último pensamento: como já foi dito tantas vezes ao longo dos tempos, ser uma boa pessoa não significa ser um tolo.

Fiquem bem e com saúde.

– Paul Beppler

Liewe Leit, wenn dear woll, hie sinn jo meh Dings üwer unser Deitsch, ei das Riograndenser Hunsrückisch / Pessoal, se quiserem, aqui tem mais conteúdos sobre Hunsriqueano Riograndense, nosso Deitsch:
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Riograndenser Hunsrückisch: Deitsch vom Gedächtnis zur digitalisierten Dokumentation

Hunsriqueano Riograndense: Língua Materna, Língua do Coração

Da Memória à Salvaguarda Digital

por Paul Beppler

A língua que falamos em casa, o nosso Deitsch, é mais do que um meio de comunicação; é uma língua brasileira, de matriz germânica, sui generis e um verdadeiro monumento vivo de mais de dois séculos de história em solo brasileiro. Para muitos de nós, crescer em regiões como a “Altkolonie”, a “Neikolonie” ou muitas outras interligadas, significa viver imerso em uma oralidade rica, mas que por muito tempo foi ignorada, silenciada, ou mesmo vilificada nos registros oficiais e desestimulada pelas políticas de Estado que deixaram sequelas até os dias de hoje.

Minha trajetória com o Hunsriqueano Riograndense — termo que propus em 2006 ao criar o verbete da língua na Wikipedia — tem sido uma busca constante por transformar essa memória em patrimônio tangível. Morando fora do Brasil, o distanciamento geográfico não enfraqueceu o laço com o idioma; pelo contrário, serviu de motor para uma reconstrução paciente.

A Prova da Escrita: Um Diálogo entre Gerações

Um dos pilares do meu trabalho é a sistematização de uma escrita que seja, ao mesmo tempo, fiel à nossa fonética e funcional para o mundo moderno. A validação definitiva desse sistema não veio de gabinetes acadêmicos, mas da minha própria casa.

Ao longo de anos, mantive uma correspondência intensa com minha mãe, uma falante nativa de base puramente oral. Escrevendo em nossa língua sobre temas que vão da gestão financeira e religião à introdução de neologismos tecnológicos, recebi de volta áudios que confirmavam: ela me entendia plenamente. Essa troca prova que nossa língua não é um dialeto limitado ao passado, mas uma ferramenta capaz de expressar qualquer conceito contemporâneo.

Convergência e Consenso Ortográfico

Minha escrita é fruto de uma evolução orgânica ao longo de décadas. Embora tenha se desenvolvido de forma independente, encontrou um paralelo acadêmico rigoroso nos Fundamentos para uma escrita do Hunsrückisch falado no Brasil (Altenhofen et al., 2007). Vejo essa convergência entre o uso prático e a pesquisa da UFRGS como um “consenso ortográfico” essencial: um sistema que prioriza as raízes históricas germânicas da língua em vez de reestilizações fonéticas artificiais. Minha obra busca ser essa ponte necessária entre a intuição do falante nativo e o rigor da pesquisa linguística formal.

Reconhecimento e Futuro

Hoje, este trabalho de vida está integrado a esforços maiores de preservação:

IPHAN: Minha produção literária e poética faz parte do dossiê para o reconhecimento do Hunsrückisch como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, citada em obras como o Inventário de uma Língua do Brasil (2018).

Documentação Técnica: Atualmente, utilizo ferramentas como o software ELAN para transcrever e traduzir esse tesouro de mensagens e áudios, garantindo que a fala autêntica seja preservada com rigor científico.

Este blog continuará sendo um espaço para compartilhar esses avanços. O objetivo é simples, mas ambicioso: garantir que o Hunsriqueano deixe de ser visto apenas como uma “herança do passado” para ocupar seu lugar de direito como uma língua brasileira de cultura, escrita e futuro.

Hunsriqueano Riograndense: Almiro Fritzen verzählt uff Deitsch (fala + escrita) – Vídeo #02

Gon Tooch, liewe Leit!
Bom dia, minha gente!

Dando continuidade, segue aqui mais um YouTube Short (de cerca de um minuto), filmado em Hunsriqueano Riograndense, o nosso Deitsch, com Almiro Fritzen, carinhosamente apelidado de “Rote Fritz”. Nascido em São José do Inhacorá (RS), mudou-se ainda jovem com sua família para Vila Candeia, na cidade de Maripá (PR, Brasil).

Este é o segundo vídeo desta série, que passo a publicar com a devida autorização do Almiro, sempre em uma nova edição com sua fala devidamente transcrita na própria língua, como registro escrito fiel do que está sendo dito.

Obs.: A transcrição apresentada não é tradução, mas um registro escrito fiel (verbatim) do que está sendo falado, respeitando as características da variante regional — não corresponde ao alemão padrão.

BOM HUMOR! Neste vídeo, o “Rote Fritz” mostra mais uma vez seu jeito característico — grande contador de estórias, de fala rápida, espontâneo, sempre positivo e muito engraçado. Entre lembranças de infância — como o fato de ele e seu irmão terem sido os primeiros da família a nascer no hospital — e crianças correndo atrás de arco-íris, suas histórias revelam uma origem humilde, marcada por trabalho árduo, mas também por vidas que foram se moldando com a modernização. Mesmo quando se mostra perplexo diante das reclamações das gerações mais jovens, no fim sempre surge uma boa piada.

A proposta segue a mesma: dar também forma escrita a uma língua que, no uso cotidiano, permanece majoritariamente na oralidade.

Como já mencionei anteriormente, ainda não foi possível incluir uma faixa adicional com tradução para a língua nacional — mas isso segue como objetivo para as próximas etapas.

Sei que vocês vão gostar do vídeo. Quem já não lembra bem a língua, ou parou de falar muito cedo, vale a pena pedir para alguém escutar e ajudar com a compreensão.

Curtam a postagem — sua generosidade será muito bem-vinda. Comentem e compartilhem bastante. Sua participação é fundamental para dar visibilidade a esse tipo de conteúdo.

Halt eich froh unn gesund!

Alemão Hunsriqueano: Deitsch com Almiro Fritzen (fala + escrita) – Vila Candeia (Maripá, PR) – Vídeo #01

Gon Tooch, meine liewe Leit!
Olá, minha gente! Bom dia!

Segue um vídeo YouTube Short (de cerca de um minuto), gravado em nossa variante regional do idioma alemão, com o saudoso Almiro Fritzen, o “Rote Fritz”, natural de São José do Inhacorá (RS, Brasil). Há anos, porém, está radicado em Vila Candeia, em sua amada cidade de Maripá (PR), também no sul do Brasil.

Obs.: A transcrição apresentada não é tradução, mas um registro escrito fiel (verbatim) do que está sendo falado, respeitando as características da variante regional — não corresponde ao alemão padrão.

Neste primeiro vídeo da série, Almiro nos apresenta um breve registro de sua própria rua, em Vila Candeia — um espaço que ele percorre com a câmera, mostrando as transformações ao longo do tempo e evocando memórias de uma vida inteira. É ali que ele vive há décadas, onde cresceu, viveu experiências marcantes e construiu sua relação afetiva com o lugar.

Trata-se de um registro simples, mas de grande valor: não apenas pelo conteúdo, mas por ser uma afirmação pública de sua língua materna.

NOVIDADE: Esta é a primeira publicação de uma série em que passo a disponibilizar esses registros — com a autorização do Almiro — em uma segunda edição, agora com transcrição/letreiro na própria língua, refletindo exatamente o que está sendo falado.

A proposta é dar também forma escrita a uma língua que, em geral, permanece apenas na oralidade, sobrevivendo com uso escrito ainda bastante limitado, sendo o português normalmente utilizado no registro. Como é bem sabido, línguas sem uma tradição escrita consolidada estão sempre sob risco de desaparecimento mais acelerado.

Por razões técnicas, ainda não foi possível incluir uma faixa com tradução para a língua nacional — mas isso fica como objetivo para as próximas etapas.

Um dos grandes legados culturais de nossos antepassados é justamente esse idioma, que surgiu como resultado natural de suas trajetórias e experiências neste pedaço da Terra Brasilis.

Espero que vocês gostem do vídeo. Curtam a postagem, comentem e compartilhem bastante. Sua participação e apoio são fundamentais — entrem no jogo, não fiquem só observando de longe!

Blutwoorscht = Morcilha

In der zwooisproichige Gechende von Rio Grande do Sul unn Santa Catarina, in Südbräsilje, ei do nennt ma’ die “morcilha de sangue” die Blutwoorst. Sie weerd mit Schweinblut, Speck unn Geweerze gemacht. Nh dem Koche iss sie fest, kann geschnitt werre unn gehöert zu der kalte Woorstsorte Kategorie.

Awer net nur hier kennt ma’ so etwas: Viele Esskulture in der Welt honn ihre eichne Version davon. Von der Hunsrück-Gebeerche unn die Palz in Deitschland bis Katalonje, in Spanje, von der Britische Insle bis Osteuropa zeicht sich, wie Mensche üwerall mit Kreativität alles vom Tier nutze unn in gutes Esse verwännle.

Blutwoorst unn Lewerwoorst uff Sauerkraut (der Mut anderer, CC BY-NC-SA 4.0).
Bild aus dem Digitalen Wörterbuch der Deutschen Sprache (DWDS).
Kataloonische Blutwoorst
(RSlastic, CC0)
Bild aus dem Digitalen Wörterbuch der Deutschen Sprache (DWDS).

Nas zonas bilíngues de alemão-português do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, no sul do Brasil, a antiga morcilha de sangue é conhecida pelo nome alemão “die Blutwoorst” (“Blutwurst” no alemão padrão). Esse embutido tradicional é feito com sangue suíno, toucinho e temperos, passando por um processo de cozimento até se tornar firme, pronto para ser fatiado e apreciado como um frio.

Não se trata apenas de uma herança local: muitas culturas gastronômicas ao redor do mundo têm sua própria versão desse preparo. Da região montanhosa do Hunsrück e do Palatinado, na Alemanha, à Catalunha, na Espanha, das Ilhas Britânicas ao Leste Europeu, a ideia de aproveitar todos os ingredientes, mesmo os miúdos, do animal e transformá-los numa comida saborosa mostra como a criatividade culinária das pessoas é de fato universal.

Weltmeistertitel für en Sankt-Wendelinne

Inwohnrin von Sank Wendel gewinnt Kechel-Weltmeistertitel in Deitschland

Laura de Souza, Inwohnrin von Carrard-Berrich in Sankt Wendel, Bundesland Rio Grande do Sul, Bräsilje, hot die Weltmeisterschaft im Mixed-Team gewonn unn woor bei den „Bowling-Weltmeisterschaften“ drüwe in Deitschland Vize-Meistrin im Doppel.

Sie hot für der Turnverein Nei Hamburrich gespielt unn die Kechel-Grupp von Sankt Wendel unn woard von der bräsiljoonische Kechel-Nationool-Mannschaft für mitmache geruf. Alswie enziche Frooh im gemischte Grupp hot Laura 491 Punkte für sich rengepackt unn hot damit ihre Gechnerinne hinner sich geloss. Im Doppel hot sie mit ene Silwer-Medailhe retuar noh Bräsiljeland gekeahrt.

Schon zeit ihrem earster Lewensjoahr begleidt Laura ihre Eltre zu Kechel-Meisterschafte unn hot ihre Kechel-Karriere mit ellef Joahr bei der Juchend-Meisterschafte von Rio Grande do Sul oongefang. Für das Mitmache on der internationoole Wettbewerbe hot das Laura, wie es gesetzlich voargeschrieb iss, Unnersteetzung von der Stadt Sankt Wendel krieht, um ihre Fluchkoste se bezoohle.

Quell: Fato Novo

Sankt Wendel Kechlerin Laura de Souza
Weltmeistertitel in Deitschland

Moradora de São Vendelino é campeã mundial de bolão na Alemanha

Moradora do Morro Carrard, em São Vendelino, Laura de Souza ficou campeã mundial na equipe mista e vice-campeã de dupla, em Campeonato Mundial de Bolão realizado na Alemanha.

Atuando na Sociedade Ginástica de Novo Hamburgo e jogadora também do grupo de bolão São Vendelino, ela foi convocada pela Seleção Brasileira de Bolão. Única mulher a participar da equipe mista, Laura fez 491 pontos, desbancando os adversários. Já na categoria de duplas, ela volta para o Brasil com medalha de prata.

Laura acompanha os pais em campeonatos de bolão desde um ano de idade, e aos 11 já começou sua trajetória no campeonato gaúcho juvenil. Para participar da competição internacional, Laura contou com o apoio da Prefeitura de São Vendelino para pagamento da passagem aérea, conforme previsto em lei.

Fonte: Fato Novo

Wohear stammt das Wort Kalifornje?

Uarsprung unn Bedeitung vom Wort “Califórnia”, wie ma’ es im Süd vom Land Bräsilje schon längst kennt.

Host du dich schon mol drüwer üwerleht, was die echte Bedeitung von “Califórnia” iss, wolle ma’ soohn, ei wie es benutzt weerd im Noome von dem bekannte jäahrliche riograndenser “Califórnia da Canção Nativa” Festival? Ich kann es bescheid kloor losse, das iss keh nordamerikoonisches importierter Modismus. Naja, das alles gesooht, mache ma’ dann hier weiter …

1. Wohear dann kommt das Wort? Das, wo ich in unser Platt wie “Kalifornje” buchstabiere; wo im Kastilhoonisch unn im Englische “California”, ei in dem Fall ohne der schriftliche Akzent; unn dann im Bräsiljoonisch “Califórnia”, hier mit dem Akkut-Akzent?

Das Wort “California” (genau so schriftlich buchstabiert) kommt esrst ganz zurück im Joahr 1510 in enem kastilhoonische Ritter-Roman, so wie en „conto literário”, voar, ei unner dem Titel: “Las Sergas de Esplandián”. Dort woor Kalifornje en reich Insel mit en Könichin, wo “Calafia” gehesst hot. Die Könichin woor üwerstarrek unn hatt mit kriechrinne Froohleit gelebt. Der Name “Calafia” kommt seahr wahrscheinlich aus dem arabische Wort “kalifa” (uff Deitsch: Kalif), wo en muslimischer Herrscher bedeidt.

2. Spanjer nenne en Platz in Amerika “California”

Alswie spanische Welt-Exploratore um 1530 das earst mol bei der Reschion, wo heitztooch “Baja California” genännt iss, oonkomm sinn, im Land, wo heitztooch Mexiko genännt iss, honn die gegloobt, sie härre die mytische Insel echt gefunn. So hot das Land dort der Name “California” krieht. Später woor ooch das Gebiet, wo heitztooch der US-Bundesstoot Kalifornje iss, in Vereinichte Stoote von Amerika, ebfalls der seleiche Noome krieht.

3. Was bedeidt “Califórnia” in Südbräsilje?

Im süd von Bräsilje, voar allem im Bundesland Rio Grande do Sul, benutzte die Leit das Wort “Califórnia” schon lang bevoar dem heitztooch bekannte traditionoolle gausche Musikfestival. Es hot do zwooi verschiedne Bedeitunge:

• “Califórnia” = en Ferde-Renn, en Karrere, mit mehrre Reiter, wo do mitmache tun (das weerd schon zeit früh im 20. Joahrhunnert so mit dem Sinn benutzt).

• “Califórnia” = en riskante Aktion, wie die historische Kämffe von Chico Pedro in der domols Provinz von Sakt Petrus von Rio Grand do Sul, um 1850.

Dozu honn viele Leit ooch das Wort so benutzt: “Ahhh das iss jo en Kalifornje!”, gemmeent damit iss, ei das en Stück Land speziool gedeihe tut, wenns fruchtboor iss, weiter hin, im Sinn en Land voll mit unn Reiche unn Glück.

4. Das Musikfestival: “Califórnia da Canção Nativa” (freilich üwersetzt: Kalifornje von der riograndenser Gausch-Musik).

Im Joahrgang 1971 woar in der Stadt Uruguaiana en Musik-Festival gegründt, wo der alte Name “Califórnia” wieder benutzt unn in weitre Gebrauch gesetzt hot. Der neie Festival, die “Califórnia da Canção Nativa” woor dann konzebiert wie schöne Wettkamff mit Lieder, Mut, Kunst un Tradition.

5. Schlusswort / Resumiert:

Das Wort Kalifornje iss uarspringlich möchlist von arabische Hearkunneft, es tut earst uff enem Buch voarkomme, dann iss das Wort rüwerzus noh Amerika von der Kastilhooner hingetrooh … unn iss es dann ooch ewe im Süd von Bräsilje oonkomm; unn mit Zeit verwännert es sich zu enem spezifische Ausdruck für Wett, Mut unn Erfollich, ei im Mitte von der Natuar, uff der Kampagne, unn so iss es später dann ooch ren in der typische traditionsvolle gausch Musik ‘komm.

Origem e significado do termo “Califórnia” no sul do Brasil

1. De onde vem o nome “Califórnia”?

A palavra Califórnia surgiu pela primeira vez num romance espanhol de cavalaria (“Las Sergas de Esplandián”, 1510), onde era o nome de uma ilha imaginária governada por uma rainha chamada “Calafia”. O nome está ligado à palavra árabe “califa” (khalīfa), que significa líder ou sucessor — título usado por governantes muçulmanos.

2. Espanhóis deram o nome “Califórnia” a terras nas Américas

Quando exploradores espanhóis chegaram à península da atual Baja California, no atual México, por volta de 1530, pensaram ter encontrado a tal ilha lendária e a batizaram de Califórnia. Com o tempo, o nome foi estendido à região que hoje é o estado da Califórnia nos Estados Unidos da América.

3. E o uso no sul do Brasil?

No Rio Grande do Sul, o termo “califórnia” (com acento agudo na língua portuguesa moderna) já era usado no campo muito antes do famoso festival de música tradicional centrada na vida campeira sul-rio-grandense. Ele tinha pelo menos dois significados:

• Corrida de cavalos com vários competidores (já documentado no início do século XX).

• Incursões ousadas, como as notórias de Chico Pedro na Cisplatina, por volta de 1850.

Além disso, muita gente usava a designação califórnia para se referir a terras férteis, onde tudo dava e tudo dava certo também — uma espécie de sinônimo de sorte ou riqueza e abundância.

4. O festival “Califórnia da Canção Gaúcha”

Em 1971, na cidade de Uruguaiana, foi criado o festival com esse nome. A ideia era justamente resgatar o significado antigo da palavra, agora no plano cultural dominante no estado. Era uma competição artística que celebrava coragem, beleza e tradição no contexto da cultura sul-rio-grandense, mais especificamente abrangendo a identidade gaúcha.

5. Conclusão

O termo “Califórnia” viajou da língua árabe à ficção literária da Velha Castelha ao campo gaúcho sul-rio-grandense, e ganhou vida nova como um estimado símbolo cultural próprio. No sul do Brasil, virou sinônimo de coragem, abundância e identidade regional, destacando-se especialmente a partir da música gaúcha.

Moddersproch

Gon Tooch,
meine liewe Leit!

Hier honn ich en koorz Videoche eich se zeiche, also der honn ich grood sellebst gemacht. Mol siehn was dear dodrüwer denkt.

Naja dann, los gehts …

Ei freilich kommentiere, bittschön. Kann sin in der Sproch, wo dear wollt, wos eich leichter iss für se schreiwe, obs keh Deitsch iss, mach nichs, es kann uff Bräsiljoonisch orrer sogooh uff Kastilhoonisch sin, keh Problem, jawohl?!

Halt eich munter unn gesund, bloss vergess net: Sprech Deitsch mit eire Kinner, jawohl?!

– Paul

RESUMO: Preservar a língua materna regional alemã do Brasil.