Projeto ALMA-H no YouTube: registros sobre o Hunsrückisch na Bacia do Prata

Este texto está disponível em quatro versões: português, alemão, hunsriqueano e inglês.

PORTUGUÊS

Para quem ainda não conhece, vale a pena visitar o canal do Projeto ALMA-H — Atlas Linguístico-Contatual das Minorias Alemãs na Bacia do Prata (Hunsrückisch) — no YouTube.

O ALMA-H está ligado a um amplo trabalho de pesquisa e documentação das variedades de Hunsrückisch faladas no sul do Brasil e em áreas de continuidade linguística na Argentina e no Paraguai. Entre os materiais produzidos e preservados pelo projeto encontram-se registros de fala, entrevistas e outros documentos de interesse para quem procura conhecer melhor a história, a distribuição geográfica e a diversidade interna dessa língua regional.

Esses registros têm um valor que vai além do meio acadêmico. Para falantes e descendentes de falantes, eles permitem ouvir pessoas de diferentes localidades falando naturalmente; comparar palavras, pronúncias e modos de dizer; reconhecer semelhanças entre regiões; e perceber a dimensão geográfica que o Hunsrückisch adquiriu ao longo de sua história na América do Sul.

Também são materiais importantes para professores, pesquisadores, estudantes, genealogistas e qualquer pessoa interessada na história linguística e cultural das comunidades de origem alemã da região platina.

Parte desse acervo continua disponível publicamente no canal do Projeto ALMA-H no YouTube. Mesmo materiais publicados há alguns anos continuam tendo valor documental e merecem permanecer circulando e sendo redescobertos.

Canal do Projeto ALMA-H no YouTube:
https://www.youtube.com/@projetoalma-h6682

DEUTSCH

Wer noch nicht so oft Hochdeutsch liest, dem sei gesagt: Hier kommt ein kurzer, unkomplizierter Text — kein Grund zur Sorge.

Wer das Projekt noch nicht kennt: ALMA-H hat Hunsrückisch in verschiedenen Orten in Südbrasilien, Argentinien und Paraguay erforscht und dokumentiert.

Auf dem YouTube-Kanal findet man Aufnahmen und anderes Material aus dieser Arbeit. Dort kann man Sprecher aus verschiedenen Regionen hören und Unterschiede und Gemeinsamkeiten in der Sprache kennenlernen.

Auch ältere Aufnahmen sind heute noch wertvolle Dokumente unserer Sprachgeschichte.

YouTube-Kanal:
https://www.youtube.com/@projetoalma-h6682

RIOGRANDENSER HUNSRÜCKISCH

Wenn dear mol höre möcht, wie Leit an annre Plätzer unser Deitsch verzähle, ei dann guckt mol dohie ren (https://www.youtube.com/@projetoalma-h6682).

Also, beim ALMA-H Projekt dort drüwe bei der Fedrool Universität von Rio Grande do Sul, do sinn jo Leit raus an viele Plätz sellebst hingang unn honn dort unser Sproch uff Videos schön grawiert.

Do doorrich kann ma’ dann Leit aus verschiedne Gechend laustre wie se Derheem Deitsch verzähle unn das dann mol vergleiche: Was für Worte soohn die genau wie mear, wenn se am spreche sinn? Was soohn se, wo sich vielleicht en bissche annerster oonhöre tut? Wohne die Leit weit wech von eich, vielleicht leht ihre Stadt orrer Munizip in en Reschion, wo eich ganz unbekannt voarkommt? Orrer wohne se newich bei eich, dicht in eire eichne Reschion?

Die Videos, wo dear in hieder Internetz-Verbinnung (https://www.youtube.com/@projetoalma-h6682) könnt finne, die setze schon en Zeitlang dodren, awer die sinn doch immer noch seahr interessant für se gucke.

Das sinn dann Sache, wolle ma’ soohn echte Stücker von unser Sprooch-Geschicht, wo ma’ sich dann immer wieder oongucke kann unn an annre zeiche unn weiter verteile.

ENGLISH

For readers outside the Portuguese- and German-speaking communities: the ALMA-H Project documented Hunsrückisch varieties spoken across southern Brazil and neighboring areas of Argentina and Paraguay. Its YouTube channel preserves publicly accessible recordings and other material that may be of interest to researchers in German dialectology, language contact, migration, heritage languages and multilingualism in South America.

YouTube channel:
https://www.youtube.com/@projetoalma-h6682

A língua é de quem mesmo?

Wem gehöert unser Sproch?
Etwas zum Nohdenke …

Die deitsch Sproch gehöert zu dene Mensche, wo se spreche, rede, verzähle, babble, schwetze, quatsche …

Also net nuar zu dene Leit, wo en bestimmte Herkunft orrer Ethnia honn. Wear en Sproch lernt, sprecht unn se alswie en Tehl von seinem Lewe oonnemme tut, gehöert sicherlich zu der Sprochgemeinschaft von der Sproch. En Sproch lebt jo immer weiter doorrich ihre Sprecher.

Meine liewe Leit, ich will hier etwas seahr Intressantes mit eich tehle (ich kriehn awer keh Geld orrer nichts dodamit, gell?!). Es iss jo en neies Leahrbuch für unser Riograndenser Hunsrückisch Deitsch, geschrib von Estevam Fortunato, online im Internetz besser bekann alswie „Glossonauta”; unn dabei im Buchprojekt iss ooch Piter Keo – also die zwooi sinn jo weit unn breit in der Online-Sprochkreise bekannt. Also, wear meh do drüwer wisse möcht, kann sich hiedas Video dann mol oonschaue:

Viel Spass beim lerne!

Noch en Voartehl, wo ma’ sich im Sinn behalle kann: Das Lerne helleft dem Mensch jung bleiwe.

Meine liewe Leit, bittschen, verzählt jo Deitsch so oft wie möchlich mit eire klene Kinnercher, Enkelkinnercher unn mit all dene Leit, wo sich dodafoar intressiere.

Unn vergess net: Unser Deitsch bleibt bloos lewendich, wenn mear es verzähle – dodrüwer verzähle hesst leider net, dass ma’ es echt am verzähle iss, ijo gell net?!

Unn noch en letzletzte Gedank: Ei wie es schon oft doorrich die Zeite gesooht geb iss, en gute Mensch sin hesst net, dass ma’ en Tabbes iss.

Halt eich gesund unn munter.

–Paul Beppler

Wem gehöert unser Sproch?
Etwas zum Nohdenke …

O nosso alemão, o Hunsriqueano Riograndense, pertence às pessoas que o falam, o utilizam e o incorporam ao seu cotidiano.

Ou seja, uma língua não pertence apenas a quem possui determinada ascendência ou etnia. Quem aprende um idioma, passa a falá-lo e o torna parte de sua vida também passa a integrar essa comunidade linguística. As línguas permanecem vivas e seguem adiante por meio de seus falantes.

Pessoa, gente amada, quero compartilhar aqui algo muito interessante com vocês (mas não ganho nada com isso, nem dinheiro nem qualquer outra coisa, viu?!). Saiu um novo livro didático para o nosso Riograndenser Hunsrückisch, escrito por Estevam Fortunato, conhecido on-line como “Glossonauta”, e que conta também com a participação do Piter Keo no projeto — os dois são bem conhecidos nos círculos linguísticos on-line. Quem quiser saber mais, pode ver no vídeo acima.

Divirta-se aprendendo!

Mais uma vantagem que vale a pena lembrar: aprender ajuda a manter a mente jovem.

Meus amigos, por favor, falem alemão com seus filhos, netos e com todas as pessoas que se interessam pela língua.

E não se esqueçam: o nosso Riograndenser Hunsrückisch só permanece vivo quando é falado. Falar sobre a língua, infelizmente, não é a mesma coisa que falar a língua, não é mesmo?

E mais um último pensamento: como já foi dito tantas vezes ao longo dos tempos, ser uma boa pessoa não significa ser um tolo.

Fiquem bem e com saúde.

– Paul Beppler

Liewe Leit, wenn dear woll, hie sinn jo meh Dings üwer unser Deitsch, ei das Riograndenser Hunsrückisch / Pessoal, se quiserem, aqui tem mais conteúdos sobre Hunsriqueano Riograndense, nosso Deitsch:
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Alemão Hunsriqueano: Deitsch com Almiro Fritzen (fala + escrita) – Vila Candeia (Maripá, PR) – Vídeo #01

Gon Tooch, meine liewe Leit!
Olá, minha gente! Bom dia!

Segue um vídeo YouTube Short (de cerca de um minuto), gravado em nossa variante regional do idioma alemão, com o saudoso Almiro Fritzen, o “Rote Fritz”, natural de São José do Inhacorá (RS, Brasil). Há anos, porém, está radicado em Vila Candeia, em sua amada cidade de Maripá (PR), também no sul do Brasil.

Obs.: A transcrição apresentada não é tradução, mas um registro escrito fiel (verbatim) do que está sendo falado, respeitando as características da variante regional — não corresponde ao alemão padrão.

Neste primeiro vídeo da série, Almiro nos apresenta um breve registro de sua própria rua, em Vila Candeia — um espaço que ele percorre com a câmera, mostrando as transformações ao longo do tempo e evocando memórias de uma vida inteira. É ali que ele vive há décadas, onde cresceu, viveu experiências marcantes e construiu sua relação afetiva com o lugar.

Trata-se de um registro simples, mas de grande valor: não apenas pelo conteúdo, mas por ser uma afirmação pública de sua língua materna.

NOVIDADE: Esta é a primeira publicação de uma série em que passo a disponibilizar esses registros — com a autorização do Almiro — em uma segunda edição, agora com transcrição/letreiro na própria língua, refletindo exatamente o que está sendo falado.

A proposta é dar também forma escrita a uma língua que, em geral, permanece apenas na oralidade, sobrevivendo com uso escrito ainda bastante limitado, sendo o português normalmente utilizado no registro. Como é bem sabido, línguas sem uma tradição escrita consolidada estão sempre sob risco de desaparecimento mais acelerado.

Por razões técnicas, ainda não foi possível incluir uma faixa com tradução para a língua nacional — mas isso fica como objetivo para as próximas etapas.

Um dos grandes legados culturais de nossos antepassados é justamente esse idioma, que surgiu como resultado natural de suas trajetórias e experiências neste pedaço da Terra Brasilis.

Espero que vocês gostem do vídeo. Curtam a postagem, comentem e compartilhem bastante. Sua participação e apoio são fundamentais — entrem no jogo, não fiquem só observando de longe!