Klammern als Lesehilfe – warum ich sie bewusst benutze

Riograndenser Hunsrückisch (RShrx) unser Deitsch (Hunsriqueano Riograndense)

Wenn ich meine Texte uff RShrx schreiwe, benutze ich mannichmol Klammer, wie zum Beispiel dohie:

  • 0 °C (Null Zentigrood)
  • die 7. (siebte) Oktoberfest
  • 16 (sechzehn) – 60 (sechzich)

Manche Leit tärre sich vielleicht froche: “Waroom tut ear das so mache?”

Der Grund iss ganz enfach: Unser Sproch iss jo jetzt schon lang üwer Scheneratione nächts nuar gesproch geb, net geschrieb. Viele RShrx-Sprochler honn nie gelernt, Zoohl, Ordnungszoohl orrer annre Schriftezeiche direkt mit ihrer Moddersproch se verbinne.

Wenn so en Leser 7. sieht, kann es passiere, dass ear erst siewe lese tut, anstatt siebte. Wenn ear 0 °C sieht, lest ear vielleicht net gleich die deitsche Worte Null Zentigrood. Orrer 16 unn 60 werre im Kopp verwechselt.

Dodrum benutz’ ich die Klammer net alswie Erklärung, awer wie Lese-Hellef. Sie zeiche, wie etwas soll in RShrx gedacht unn geles gewe.

Ich hoffe, dass das Hellef mit Klammer sich mit der Zeit immer wenicher notwennich macht. Wenn Leser sich an die Schriftsproch droon gewöhne, könne viele von dene Klammer wieder verschwünne. Awer am Oonfang könne se jo sicher helwe, dass niemand schon im Voaraus denke tut: „Oh weh, oh weh, oh weh, ich kann das schriftlich Deitsche leider net lese.“

Die Klammer sinn also net do, weil die Leser zu wenich wisse. Sie sinn do, damit der Wech von der gesprochne Sproch zu en tächlich geschriebne Sproch en bissche leichter weerd.


Português nossa língua nacional (Bräsiljoonisch / Portogäsisch)

Ao escrever textos em RShrx, às vezes uso parênteses, por exemplo:

  • 0 °C (Null Zentigrood)
  • die 7. (siebte) Oktoberfest
  • 16 (sechzehn) – 60 (sechzich)

Talvez algumas pessoas se perguntem por que faço isso.

O motivo é simples: durante gerações, nossa língua foi usada quase exclusivamente de forma oral. Muitos falantes de RShrx nunca aprenderam a associar automaticamente números, ordinais e outros símbolos escritos à forma como eles são falados na língua materna.

Quando alguém vê 7., pode ler primeiro siete (“sete”), em vez de sétimo. Ao ver 0 °C, talvez não pense imediatamente nas palavras em seu idioma materno: Null Zentigrood. Da mesma forma, 16 e 60 podem ser confundidos por quem ainda está desenvolvendo essa leitura.

Por isso, os parênteses na verdade não servem como explicação, mas sim como apoio à leitura. Eles mostram como aquele símbolo deve ser lido e compreendido no contexto do RShrx.

Espero que, com o tempo, esse recurso seja cada vez menos necessário. À medida que os leitores se acostumarem com a escrita da língua, muitos desses parênteses poderão desaparecer. Mas, neste momento, eles ajudam a evitar que alguém trave logo de saída, pensando algo como: “Ah não, nem adianta, eu não sei ler alemão.”

Os parênteses não existem porque os leitores sabem menos. Eles existem para tornar mais fácil a passagem de uma língua tradicionalmente falada para uma língua também usada corriqueiramente na escrita.

Uma nova fase para as línguas do Brasil

Você cresceu ouvindo seus pais, avós ou vizinhos falarem uma língua além do português?

Talvez você mesmo fale uma segunda língua, ou falava, mas há muito ela deixou de fazer parte de seu cotidiano. Talvez hoje em dia apenas a compreenda.

Se a resposta for sim, você faz parte de uma realidade que durante muito tempo recebeu pouca atenção oficial no Brasil.

No dia 23 de junho de 2026, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) lançou a nova plataforma digital do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), o IPOL e outras instituições.

Inventário Nacional da Diversidade Linguística – INDL

À primeira vista, a notícia pode parecer distante da realidade da maioria das pessoas. Afinal, trata-se de uma plataforma apresentada em Brasília por representantes de órgãos públicos, universidades e instituições culturais. No entanto, o assunto está diretamente relacionado à vida de milhões de brasileiros que cresceram ouvindo, falando ou convivendo com mais de uma língua.

Durante muito tempo, os brasileiros aprenderam na escola que o Brasil era um país de uma única língua: o português.

Na prática, porém, essa nunca foi toda a realidade.

Além do português, que somente superou a Língua Geral de base Tupi em meados do século XIX, o país sempre abrigou centenas de línguas indígenas. Também vieram as línguas africanas e formaram-se as línguas resultantes da imigração, sem deixar de mencionar o lugar especial da língua de sinais e outras formas de expressão linguística desenvolvidas ao longo de sua história.

Entre autóctones e alóctones, mais de duzentas continuam sendo faladas hoje em famílias e comunidades, raramente aparecendo nos livros escolares, nos meios de comunicação ou nas políticas públicas.

Ao longo do século XX, predominou a ideia de que o progresso e a modernização passavam pela adoção cada vez mais ampla da língua nacional. Em muitas regiões, isso contribuiu para que línguas comunitárias fossem gradualmente abandonadas. Pais deixaram de transmiti-las aos filhos. Crianças aprenderam que falar a língua da família era algo menos importante do que falar o português. Em muitos lugares, a língua dos avós passou a ser vista como um vestígio do passado, algo destinado a desaparecer com o tempo.

Muitas pessoas ainda sentem os efeitos desse processo. Há quem lamente não ter aprendido a língua dos avós. Há quem a compreenda, mas não consiga mais falá-la. Há também quem tenha crescido ouvindo que determinadas línguas eram inadequadas para a escola, para a cidade ou para a vida moderna.

Nas últimas décadas, porém, uma mudança importante vem ocorrendo em diversas partes do mundo.

Cada vez mais países, universidades, comunidades e organismos internacionais passaram a reconhecer que a diversidade linguística faz parte do patrimônio cultural da humanidade. A ideia não é substituir as línguas nacionais nem criar divisões artificiais, mas compreender que diferentes línguas podem coexistir e enriquecer a vida cultural das sociedades onde são faladas.

O Brasil também passou a participar desse movimento, por meio da adesão a tratados internacionais e da criação de políticas públicas voltadas à diversidade linguística.

A criação do Inventário Nacional da Diversidade Linguística foi um passo importante nesse sentido. Seu objetivo é identificar, documentar e valorizar as diversas línguas presentes no território brasileiro. O lançamento da nova plataforma representa mais um avanço, tornando informações e materiais mais acessíveis tanto para pesquisadores quanto para as próprias comunidades.

O evento de lançamento reuniu representantes do IPHAN, da Universidade de Brasília, do IPOL e de diversas comunidades linguísticas. Entre os participantes estavam gestores públicos, pesquisadores, especialistas em políticas linguísticas e representantes de línguas já inventariadas ou em processo de reconhecimento. Mais do que apresentar um novo portal na internet, as falas deixaram clara a percepção de que se trata do resultado de muitos anos de trabalho e colaboração.

O que está sendo construído é um importante arquivo digital, uma infraestrutura que poderá facilitar o acesso a informações, pesquisas, registros históricos, materiais audiovisuais e documentação produzida ao longo dos anos sobre as diversas línguas faladas no Brasil.

Para as comunidades locais, isso pode ter consequências bastante concretas.

Uma maior visibilidade da diversidade linguística pode favorecer a produção de materiais educativos, a formação de professores, a documentação da história local, a realização de projetos culturais, o fortalecimento de museus e arquivos comunitários, além da criação de novas parcerias entre municípios, universidades e organizações culturais.

Em outras palavras, trata-se de um assunto que não interessa apenas a pesquisadores ou órgãos governamentais. Ele pode influenciar diretamente a maneira como comunidades registram sua história, valorizam sua cultura e transmitem seus conhecimentos às futuras gerações.

O nosso Riograndenser Hunsrückisch (Hunsriqueano Riograndense) faz parte dessa realidade.

Seu processo de inventário junto ao INDL mobilizou pesquisadores, instituições e comunidades, resultando em extensa documentação e em parecer técnico favorável à sua inclusão no Inventário Nacional da Diversidade Linguística. Entre os envolvidos nesse trabalho estiveram pesquisadores da UFRGS e do IPOL, instituições que continuam desempenhando papel importante nas discussões sobre diversidade linguística no Brasil.

Na verdade, o Brasil não está descobrindo sua diversidade linguística, pois ela sempre esteve aqui.

O que está mudando é a forma como essa diversidade é reconhecida, documentada e valorizada.

Nenhuma plataforma preserva uma língua por si só. Línguas continuam existindo porque pessoas as falam, as ensinam aos filhos e as utilizam em sua vida diária. Ainda assim, iniciativas como esta ajudam a criar condições para que esse trabalho seja mais conhecido, mais valorizado e mais acessível.

Por isso, o lançamento da plataforma do INDL merece toda a nossa atenção.

Ele não representa apenas um ponto de chegada, mas mais um passo em um processo maior: o reconhecimento de que as línguas faladas pelas comunidades brasileiras não pertencem apenas ao passado. Elas também podem fazer parte do futuro.


Was das alles uns betreft, hier koorz uff Deitsch, meine liewe Leit:

Viele von unser Leit sinn uffgewachs mit meh wie en Sproch in der Familje, in der Gemeind orrer sogoor in ihre ganze Reschion. Zeit Jouhre schon hot ma’ immer so getun, als ob das en Sach von der Vergangheht wäer. Awer heitztooch denkt ma’ üwerall uff der Welt ganz annerster dodrüwer.

Der Artikel do uwe beschreibt en wichtige Schritt, wo grood in Bräsilje gemacht geb iss. Jou, es geht um Pesquisadorer, Unnersucher / Forscerer, Instituitione unn grousse Universitäte von unser Land. Es geht awer ooch um die Gemeinschafte, wo ihre Sproche, Geschichte unn Erinnrunge lewendich behalle wolle.

Die neie Plattform vom Inventário Nacional da Diversidade Linguística kann mit der Zeit uns helwe, Matriool dodofoar zusammersetze, Pesquisas leichter mache unn Kultua-Projekte unnersteetze. Solliche Sache passiere net nuar in Bräsilje sein Hauptstadt, ei in Brasília. Mit der Zeit kenne se Iinfluss honn uff Schule, Vereine, Musee’e, Gemeinde-Administratione unn Kultua-Initiative bei uns Derheem, in der Plätzer wo mear wohne.

Unser Deitsch, mit dem meh formool Noome Riograndenser Hunsrückisch, uff Bräsiljoonisch Hunsriqueano Riograndense, iss jo en wichticht Tehl von dodem grössrer Bild.

Dodrum lohnt es sich, dass mear wisse, was dodamit grood am passiere iss, was ma’ do uwe eich ausgeleht honn.

Halt eich schön woorrem unn gesund, weil die schlimme Kält do, ei die bleibt net für immer do …

-Paul Beppler

A língua é de quem mesmo?

Wem gehöert unser Sproch?
Etwas zum Nohdenke …

Die deitsch Sproch gehöert zu dene Mensche, wo se spreche, rede, verzähle, babble, schwetze, quatsche …

Also net nuar zu dene Leit, wo en bestimmte Herkunft orrer Ethnia honn. Wear en Sproch lernt, sprecht unn se alswie en Tehl von seinem Lewe oonnemme tut, gehöert sicherlich zu der Sprochgemeinschaft von der Sproch. En Sproch lebt jo immer weiter doorrich ihre Sprecher.

Meine liewe Leit, ich will hier etwas seahr Intressantes mit eich tehle (ich kriehn awer keh Geld orrer nichts dodamit, gell?!). Es iss jo en neies Leahrbuch für unser Riograndenser Hunsrückisch Deitsch, geschrib von Estevam Fortunato, online im Internetz besser bekann alswie „Glossonauta”; unn dabei im Buchprojekt iss ooch Piter Keo – also die zwooi sinn jo weit unn breit in der Online-Sprochkreise bekannt. Also, wear meh do drüwer wisse möcht, kann sich hiedas Video dann mol oonschaue:

Viel Spass beim lerne!

Noch en Voartehl, wo ma’ sich im Sinn behalle kann: Das Lerne helleft dem Mensch jung bleiwe.

Meine liewe Leit, bittschen, verzählt jo Deitsch so oft wie möchlich mit eire klene Kinnercher, Enkelkinnercher unn mit all dene Leit, wo sich dodafoar intressiere.

Unn vergess net: Unser Deitsch bleibt bloos lewendich, wenn mear es verzähle – dodrüwer verzähle hesst leider net, dass ma’ es echt am verzähle iss, ijo gell net?!

Unn noch en letzletzte Gedank: Ei wie es schon oft doorrich die Zeite gesooht geb iss, en gute Mensch sin hesst net, dass ma’ en Tabbes iss.

Halt eich gesund unn munter.

–Paul Beppler

Wem gehöert unser Sproch?
Etwas zum Nohdenke …

O nosso alemão, o Hunsriqueano Riograndense, pertence às pessoas que o falam, o utilizam e o incorporam ao seu cotidiano.

Ou seja, uma língua não pertence apenas a quem possui determinada ascendência ou etnia. Quem aprende um idioma, passa a falá-lo e o torna parte de sua vida também passa a integrar essa comunidade linguística. As línguas permanecem vivas e seguem adiante por meio de seus falantes.

Pessoa, gente amada, quero compartilhar aqui algo muito interessante com vocês (mas não ganho nada com isso, nem dinheiro nem qualquer outra coisa, viu?!). Saiu um novo livro didático para o nosso Riograndenser Hunsrückisch, escrito por Estevam Fortunato, conhecido on-line como “Glossonauta”, e que conta também com a participação do Piter Keo no projeto — os dois são bem conhecidos nos círculos linguísticos on-line. Quem quiser saber mais, pode ver no vídeo acima.

Divirta-se aprendendo!

Mais uma vantagem que vale a pena lembrar: aprender ajuda a manter a mente jovem.

Meus amigos, por favor, falem alemão com seus filhos, netos e com todas as pessoas que se interessam pela língua.

E não se esqueçam: o nosso Riograndenser Hunsrückisch só permanece vivo quando é falado. Falar sobre a língua, infelizmente, não é a mesma coisa que falar a língua, não é mesmo?

E mais um último pensamento: como já foi dito tantas vezes ao longo dos tempos, ser uma boa pessoa não significa ser um tolo.

Fiquem bem e com saúde.

– Paul Beppler

Liewe Leit, wenn dear woll, hie sinn jo meh Dings üwer unser Deitsch, ei das Riograndenser Hunsrückisch / Pessoal, se quiserem, aqui tem mais conteúdos sobre Hunsriqueano Riograndense, nosso Deitsch:
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