202 Johre deitsche Inwannrung in Bräsilje

Unn en deitsch Sproch, wos norre in Bräsilje gebt:
RShrx / Riograndenser Hunsrückisch / Hunsriqueano Riograndense / Deitsch

Am 25. Juli 2026 feiert ma’ 202 Johre deitsche Inwannrung in Bräsilje.

Das iss en Gelehenheit, Dankbarkeit se zeiche für all die Froohleit unn Mannsleit, wo zusammer, awer mannichmoh ooch allen, mit Mut ihre Heimat hinnich sich geloss honn unn mit ihrer Oorweit, mit ihrem Gloowe, net alle fromm, unn ihre Lewenswese mitgehollef honn, unser Bräsiljeland uffsebaue.

Das Jubiläum sollt awer net bloss en Blick retuar sin. Es sollt uns doch ooch wie en Erinnrung diene, dass unser Kultuar net von sich sellebst weiter lewe kann. Meine liewe Leit, sie lebt jawohl, doch nuar wenn ma’ sie schätze tut unn sie weitergewe tut an die kommende Juchend unn Kinnercher, wolle ma’ soohn, wenn es deitlich ausgedacht gemacht geb weerd.

Unn grood in dem Weidergewe hot unser Sproch en ganz wichtiches Platz. Wenn es um Kultuar unn Identität geht, ei unser Sproch geheart jo völlich unn gründlich dozu. Sie iss en lewendicher Tehl von dem Erb, wo mear jo von unsre Voarfoohre krieht honn. Jedes Mol, wenn ma’ unser Sproch benutzt, wenn ma’ Deitsch verzählt, wenn ma’ es schreibt, lernt unn weitergewe tut, do tut ma’ jo sicherlich en üwerschöne Stück, wie ich es meene, die schönste von unsrer Geschicht lewendich behalle.

Wolle mear all hoffe unn wünsche, dass die 202 Johre net bloss en Grund zum Feiere sinn, awer ooch en Oonstoss, unser kulturooles Erb mit Stolz, Respekt unn Verantwortung für uns sellebst unn dann ooch für alle dene, wo mear umherum uns honn, in der Richtung von en immer besser Zukunneft se troohn.

Unn losse ma’ uns heit schon dodamit oofänge: unser Sproch verzähle, sie schweibe, sie lese unn se weitergewe — jeder so gut wie ear orrer sie ’s kann, awer immer so gut wie möchlich.

Alles Gutes zum 202-Joahr deitsche Inwannrung in Bräsilje!!!

Português / Bräsiljoonisch

202 Anos da Imigração Alemã no Brasil

Uma língua brasileira de matriz germânica celebra sua trajetória

No dia 25 de julho de 2026, celebramos os 202 anos da imigração alemã no Brasil.

Esta é uma oportunidade para expressarmos nossa gratidão a todas as mulheres e homens que, juntos e, por vezes, também sozinhos, deixaram sua terra natal com coragem e ajudaram a construir o Brasil com seu trabalho, sua fé — nem todos religiosos — e seu modo de viver.

Esta celebração, porém, não deve servir apenas para olharmos para o passado. Ela também deve nos lembrar de que a cultura não continua viva por si só. Ela permanece viva quando é valorizada e transmitida às novas gerações.

E é justamente nesse ato de transmitir que a nossa língua ocupa um lugar central. Ela faz parte do legado vivo que recebemos de nossos antepassados. Cada vez que usamos a nossa língua no cotidiano — falando, escrevendo, lendo e a compartilhando — mantemos viva uma das partes mais bonitas da nossa história.

Que os 202 anos da imigração alemã no Brasil não sejam apenas motivo de celebração, mas também um incentivo para carregarmos esse legado cultural com orgulho, respeito e responsabilidade, por nós mesmos e por todos aqueles que vivem ao nosso redor, construindo um futuro cada vez melhor.

E que comecemos hoje mesmo: falando, escrevendo, lendo e compartilhando a nossa língua — cada um à sua maneira, mas sempre da melhor forma possível.

Feliz 202º aniversário da imigração alemã no Brasil!!!

Riograndenser Hunsrückisch: Deitsch vom Gedächtnis zur digitalisierten Dokumentation

Hunsriqueano Riograndense: Língua Materna, Língua do Coração

Da Memória à Salvaguarda Digital

por Paul Beppler

A língua que falamos em casa, o nosso Deitsch, é mais do que um meio de comunicação; é uma língua brasileira, de matriz germânica, sui generis e um verdadeiro monumento vivo de mais de dois séculos de história em solo brasileiro. Para muitos de nós, crescer em regiões como a “Altkolonie”, a “Neikolonie” ou muitas outras interligadas, significa viver imerso em uma oralidade rica, mas que por muito tempo foi ignorada, silenciada, ou mesmo vilificada nos registros oficiais e desestimulada pelas políticas de Estado que deixaram sequelas até os dias de hoje.

Minha trajetória com o Hunsriqueano Riograndense — termo que propus em 2006 ao criar o verbete da língua na Wikipedia — tem sido uma busca constante por transformar essa memória em patrimônio tangível. Morando fora do Brasil, o distanciamento geográfico não enfraqueceu o laço com o idioma; pelo contrário, serviu de motor para uma reconstrução paciente.

A Prova da Escrita: Um Diálogo entre Gerações

Um dos pilares do meu trabalho é a sistematização de uma escrita que seja, ao mesmo tempo, fiel à nossa fonética e funcional para o mundo moderno. A validação definitiva desse sistema não veio de gabinetes acadêmicos, mas da minha própria casa.

Ao longo de anos, mantive uma correspondência intensa com minha mãe, uma falante nativa de base puramente oral. Escrevendo em nossa língua sobre temas que vão da gestão financeira e religião à introdução de neologismos tecnológicos, recebi de volta áudios que confirmavam: ela me entendia plenamente. Essa troca prova que nossa língua não é um dialeto limitado ao passado, mas uma ferramenta capaz de expressar qualquer conceito contemporâneo.

Convergência e Consenso Ortográfico

Minha escrita é fruto de uma evolução orgânica ao longo de décadas. Embora tenha se desenvolvido de forma independente, encontrou um paralelo acadêmico rigoroso nos Fundamentos para uma escrita do Hunsrückisch falado no Brasil (Altenhofen et al., 2007). Vejo essa convergência entre o uso prático e a pesquisa da UFRGS como um “consenso ortográfico” essencial: um sistema que prioriza as raízes históricas germânicas da língua em vez de reestilizações fonéticas artificiais. Minha obra busca ser essa ponte necessária entre a intuição do falante nativo e o rigor da pesquisa linguística formal.

Reconhecimento e Futuro

Hoje, este trabalho de vida está integrado a esforços maiores de preservação:

IPHAN: Minha produção literária e poética faz parte do dossiê para o reconhecimento do Hunsrückisch como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, citada em obras como o Inventário de uma Língua do Brasil (2018).

Documentação Técnica: Atualmente, utilizo ferramentas como o software ELAN para transcrever e traduzir esse tesouro de mensagens e áudios, garantindo que a fala autêntica seja preservada com rigor científico.

Este blog continuará sendo um espaço para compartilhar esses avanços. O objetivo é simples, mas ambicioso: garantir que o Hunsriqueano deixe de ser visto apenas como uma “herança do passado” para ocupar seu lugar de direito como uma língua brasileira de cultura, escrita e futuro.

Hunsriqueano Riograndense: Almiro Fritzen verzählt uff Deitsch (fala + escrita) – Vídeo #02

Gon Tooch, liewe Leit!
Bom dia, minha gente!

Dando continuidade, segue aqui mais um YouTube Short (de cerca de um minuto), filmado em Hunsriqueano Riograndense, o nosso Deitsch, com Almiro Fritzen, carinhosamente apelidado de “Rote Fritz”. Nascido em São José do Inhacorá (RS), mudou-se ainda jovem com sua família para Vila Candeia, na cidade de Maripá (PR, Brasil).

Este é o segundo vídeo desta série, que passo a publicar com a devida autorização do Almiro, sempre em uma nova edição com sua fala devidamente transcrita na própria língua, como registro escrito fiel do que está sendo dito.

Obs.: A transcrição apresentada não é tradução, mas um registro escrito fiel (verbatim) do que está sendo falado, respeitando as características da variante regional — não corresponde ao alemão padrão.

BOM HUMOR! Neste vídeo, o “Rote Fritz” mostra mais uma vez seu jeito característico — grande contador de estórias, de fala rápida, espontâneo, sempre positivo e muito engraçado. Entre lembranças de infância — como o fato de ele e seu irmão terem sido os primeiros da família a nascer no hospital — e crianças correndo atrás de arco-íris, suas histórias revelam uma origem humilde, marcada por trabalho árduo, mas também por vidas que foram se moldando com a modernização. Mesmo quando se mostra perplexo diante das reclamações das gerações mais jovens, no fim sempre surge uma boa piada.

A proposta segue a mesma: dar também forma escrita a uma língua que, no uso cotidiano, permanece majoritariamente na oralidade.

Como já mencionei anteriormente, ainda não foi possível incluir uma faixa adicional com tradução para a língua nacional — mas isso segue como objetivo para as próximas etapas.

Sei que vocês vão gostar do vídeo. Quem já não lembra bem a língua, ou parou de falar muito cedo, vale a pena pedir para alguém escutar e ajudar com a compreensão.

Curtam a postagem — sua generosidade será muito bem-vinda. Comentem e compartilhem bastante. Sua participação é fundamental para dar visibilidade a esse tipo de conteúdo.

Halt eich froh unn gesund!