Riograndenser Hunsrückisch: Deitsch vom Gedächtnis zur digitalisierten Dokumentation

Hunsriqueano Riograndense: Língua Materna, Língua do Coração

Da Memória à Salvaguarda Digital

por Paul Beppler

A língua que falamos em casa, o nosso Deitsch, é mais do que um meio de comunicação; é uma língua brasileira, de matriz germânica, sui generis e um verdadeiro monumento vivo de mais de dois séculos de história em solo brasileiro. Para muitos de nós, crescer em regiões como a “Altkolonie”, a “Neikolonie” ou muitas outras interligadas, significa viver imerso em uma oralidade rica, mas que por muito tempo foi ignorada, silenciada, ou mesmo vilificada nos registros oficiais e desestimulada pelas políticas de Estado que deixaram sequelas até os dias de hoje.

Minha trajetória com o Hunsriqueano Riograndense — termo que propus em 2006 ao criar o verbete da língua na Wikipedia — tem sido uma busca constante por transformar essa memória em patrimônio tangível. Morando fora do Brasil, o distanciamento geográfico não enfraqueceu o laço com o idioma; pelo contrário, serviu de motor para uma reconstrução paciente.

A Prova da Escrita: Um Diálogo entre Gerações

Um dos pilares do meu trabalho é a sistematização de uma escrita que seja, ao mesmo tempo, fiel à nossa fonética e funcional para o mundo moderno. A validação definitiva desse sistema não veio de gabinetes acadêmicos, mas da minha própria casa.

Ao longo de anos, mantive uma correspondência intensa com minha mãe, uma falante nativa de base puramente oral. Escrevendo em nossa língua sobre temas que vão da gestão financeira e religião à introdução de neologismos tecnológicos, recebi de volta áudios que confirmavam: ela me entendia plenamente. Essa troca prova que nossa língua não é um dialeto limitado ao passado, mas uma ferramenta capaz de expressar qualquer conceito contemporâneo.

Convergência e Consenso Ortográfico

Minha escrita é fruto de uma evolução orgânica ao longo de décadas. Embora tenha se desenvolvido de forma independente, encontrou um paralelo acadêmico rigoroso nos Fundamentos para uma escrita do Hunsrückisch falado no Brasil (Altenhofen et al., 2007). Vejo essa convergência entre o uso prático e a pesquisa da UFRGS como um “consenso ortográfico” essencial: um sistema que prioriza as raízes históricas germânicas da língua em vez de reestilizações fonéticas artificiais. Minha obra busca ser essa ponte necessária entre a intuição do falante nativo e o rigor da pesquisa linguística formal.

Reconhecimento e Futuro

Hoje, este trabalho de vida está integrado a esforços maiores de preservação:

IPHAN: Minha produção literária e poética faz parte do dossiê para o reconhecimento do Hunsrückisch como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, citada em obras como o Inventário de uma Língua do Brasil (2018).

Documentação Técnica: Atualmente, utilizo ferramentas como o software ELAN para transcrever e traduzir esse tesouro de mensagens e áudios, garantindo que a fala autêntica seja preservada com rigor científico.

Este blog continuará sendo um espaço para compartilhar esses avanços. O objetivo é simples, mas ambicioso: garantir que o Hunsriqueano deixe de ser visto apenas como uma “herança do passado” para ocupar seu lugar de direito como uma língua brasileira de cultura, escrita e futuro.

Hunsriqueano Riograndense: Almiro Fritzen verzählt uff Deitsch (fala + escrita) – Vídeo #02

Gon Tooch, liewe Leit!
Bom dia, minha gente!

Dando continuidade, segue aqui mais um YouTube Short (de cerca de um minuto), filmado em Hunsriqueano Riograndense, o nosso Deitsch, com Almiro Fritzen, carinhosamente apelidado de “Rote Fritz”. Nascido em São José do Inhacorá (RS), mudou-se ainda jovem com sua família para Vila Candeia, na cidade de Maripá (PR, Brasil).

Este é o segundo vídeo desta série, que passo a publicar com a devida autorização do Almiro, sempre em uma nova edição com sua fala devidamente transcrita na própria língua, como registro escrito fiel do que está sendo dito.

Obs.: A transcrição apresentada não é tradução, mas um registro escrito fiel (verbatim) do que está sendo falado, respeitando as características da variante regional — não corresponde ao alemão padrão.

BOM HUMOR! Neste vídeo, o “Rote Fritz” mostra mais uma vez seu jeito característico — grande contador de estórias, de fala rápida, espontâneo, sempre positivo e muito engraçado. Entre lembranças de infância — como o fato de ele e seu irmão terem sido os primeiros da família a nascer no hospital — e crianças correndo atrás de arco-íris, suas histórias revelam uma origem humilde, marcada por trabalho árduo, mas também por vidas que foram se moldando com a modernização. Mesmo quando se mostra perplexo diante das reclamações das gerações mais jovens, no fim sempre surge uma boa piada.

A proposta segue a mesma: dar também forma escrita a uma língua que, no uso cotidiano, permanece majoritariamente na oralidade.

Como já mencionei anteriormente, ainda não foi possível incluir uma faixa adicional com tradução para a língua nacional — mas isso segue como objetivo para as próximas etapas.

Sei que vocês vão gostar do vídeo. Quem já não lembra bem a língua, ou parou de falar muito cedo, vale a pena pedir para alguém escutar e ajudar com a compreensão.

Curtam a postagem — sua generosidade será muito bem-vinda. Comentem e compartilhem bastante. Sua participação é fundamental para dar visibilidade a esse tipo de conteúdo.

Halt eich froh unn gesund!

Alemão Hunsriqueano: Deitsch com Almiro Fritzen (fala + escrita) – Vila Candeia (Maripá, PR) – Vídeo #01

Gon Tooch, meine liewe Leit!
Olá, minha gente! Bom dia!

Segue um vídeo YouTube Short (de cerca de um minuto), gravado em nossa variante regional do idioma alemão, com o saudoso Almiro Fritzen, o “Rote Fritz”, natural de São José do Inhacorá (RS, Brasil). Há anos, porém, está radicado em Vila Candeia, em sua amada cidade de Maripá (PR), também no sul do Brasil.

Obs.: A transcrição apresentada não é tradução, mas um registro escrito fiel (verbatim) do que está sendo falado, respeitando as características da variante regional — não corresponde ao alemão padrão.

Neste primeiro vídeo da série, Almiro nos apresenta um breve registro de sua própria rua, em Vila Candeia — um espaço que ele percorre com a câmera, mostrando as transformações ao longo do tempo e evocando memórias de uma vida inteira. É ali que ele vive há décadas, onde cresceu, viveu experiências marcantes e construiu sua relação afetiva com o lugar.

Trata-se de um registro simples, mas de grande valor: não apenas pelo conteúdo, mas por ser uma afirmação pública de sua língua materna.

NOVIDADE: Esta é a primeira publicação de uma série em que passo a disponibilizar esses registros — com a autorização do Almiro — em uma segunda edição, agora com transcrição/letreiro na própria língua, refletindo exatamente o que está sendo falado.

A proposta é dar também forma escrita a uma língua que, em geral, permanece apenas na oralidade, sobrevivendo com uso escrito ainda bastante limitado, sendo o português normalmente utilizado no registro. Como é bem sabido, línguas sem uma tradição escrita consolidada estão sempre sob risco de desaparecimento mais acelerado.

Por razões técnicas, ainda não foi possível incluir uma faixa com tradução para a língua nacional — mas isso fica como objetivo para as próximas etapas.

Um dos grandes legados culturais de nossos antepassados é justamente esse idioma, que surgiu como resultado natural de suas trajetórias e experiências neste pedaço da Terra Brasilis.

Espero que vocês gostem do vídeo. Curtam a postagem, comentem e compartilhem bastante. Sua participação e apoio são fundamentais — entrem no jogo, não fiquem só observando de longe!

Karfreitachstee

Karfreitachstee aus der Wild
Serra Gaúcha,
Munizip São José dos Ausentes, RS
Bräsilje / Brasil.

Gon Tooch, liewe Leit!


Hot dear heit ganz früh Mooints schon eire jährliche Quantie Karfreitachstee geerndt?

Gester woor jo Gründonnerstach; unn so looft jo bei uns weiter die Heiliche Woch hiedas Joahr, die Semana Santa, gell?!


Die Bilder do honn ich sellebst letzt Joahr mit mein Zellular-Kamera gemacht. Do harre ma’ jo nei Estrada da Rocinha in Santa Catarina rufzus mit en gemiedt Auto gefoohr, ei bis ma’ ganz uwe hin sinn komm —also jetz woor ich endlich wieder in meinem Rio Grand zurück!!!

Net weit wech von São José dos Ausentes, ganz dort uwe in der Höch von Gebeerche honn ich dann hiedie Karfreitachstee Bilder, wo ich eich do am zeiche sin, geknipst … doch es woor leider net Karfreitach an dem Tooch.

Das Sträissche könnt ich nocher leider ooch net mit mear zurück hie Heem in die Vereinichte Stoote von Amerika doorrich Zoll üwer der Grenz bringe. Der Karfreitachstee honn ich dann schön meine Modder geb, ei mit meine Mama Derheem geloss.


Ich wünsche eich all Schöne Ostre, gell?!


Feliz festas pascoalinas pra todo mundo aí!


-Paul Beppler

Karfreitachstee in der Wild
Serra Gaúcha,
Munizip São José dos Ausentes, RS
Bräsilje / Brasil.

Riograndenser Hunsrückisch: Sprache und Identität

Riograndenser Hunsrückisch: Sprache und Identität

Also, warum unsere Sprache für uns wichtig ist

Mear tun dann zum Oonfang hier user Blog-Post in unser eichne Sproch schreiwe; donoh uff Hochdeitsch, dann uff Bräsiljoonisch, unser nationool offiziool Sproch.

Jedem Mensch sein Moddersprooch iss en wichtiche Tehl von seine tiefste Identität. Das muss jo do erwäht werre, weil viele Mensche enfach mit norre en Sproch uffwachse tun unn brauche dodrum sich nie dodrüwer speziool se uwerlehn. Also, mit der Moddersprooch zeicht ma’, von wo ma’ kommt unn wear ma’ iss.

Viele Leit in Bräsilje siehn ihre Hunsrickisch net bloss alswie en informoole Gebappel awer die wisse es jo, dass es en Tehl von ihrer Geschicht iss.

Sprooch als Verbinnung zur Vergangheit
Viele Familje honn die Sprooch von Scheneration zu Scheneration weidergeb. Die Sprooch verbindt se mit ihre Pionier-Vorfoohre, wo von eerchennwo aus Deitschland in Bräsilje renkomm sinn.

Wenn en Sprooch verloar geht, geht ooch en Tehl von der Geschicht verloar.

Sprooch im tächlich Lewe: Genau wie voar zwooi-hunner Joahr zurück, so weard das Hunsrickisch in viele Familje heitztooch noch ohne Froche weiter verzählt. Es is die Sprooch von Deheem, von Gespräche mit der Grosseltre unn mit der Nochbarsleit. Wenn was schönes passiert, ei do muss es uff Deitsch gefeiert werre, wenn entwas schlimmes, trauriches passiert, von tiefstem Herz kommt alles uff Deitsch aus enem seinem Mund raus … Do werre oft freche Geschichtcher weiter vezehlt, en bissche geratscht, beklooht, unn mannichmo en bissche üwertreibt unn sogoor geloh.

Awwer oft weerd unser Sproch net geschrieb.
Dodrum iss es so wichtig, dass do Texte geschrieb werre unn das se dann ooch weite getehlt werre.

Warum schreiwe wichtich iss?
Wenn mear unser Sprooch bloss spreche, kann se viel leichter unn schneller verloar gehn. Das iss net etwas was ich meene: akkademische, wissenschaftliche Studje unn Unnersuchunge zeiche dass so iss, ganz kloor, ei dass das echt so iss. Awer wenn mear unser Sprooch schreiwe, unner Druck (wie es domols uns in der Vargas Zeite passiert iss), bleibt se länger do, also do weerd es viel schwiericher dass es aus der Welt verschwindt.

Texte uff Deitsch, wie mear unser Platt vezähle, im Internetz verteilt helwe dann dodamit, dass meh unn meh Leit die Sprooch siehn, es net so schnell verlerne, unn ooch nei lerne könne.

Unser Sprooch iss en Schatz
Wenn mear unser Moddersproch benutze, verezähle unn schreiwe, bleibt se lewendich in der Welt.
So könne ooch die nächste Scheneratione sie kenne unn benutze.

Riograndenser Hunsrückisch: Sprache und Identität

Also, warum unsere Sprache für uns wichtig ist

Wir schreiben hier unseren Blogbeitrag zuerst in unserer Sprache, dann auf Hochdeutsch und danach auf Brasilianisch, unserer nationalen Amtssprache.

Jede Muttersprache ist ein wichtiger Teil der tiefsten Identität eines Menschen. Das muss man sagen, weil viele Menschen einfach mit nur einer Sprache aufwachsen und deshalb nie besonders darüber nachdenken müssen. Mit der Muttersprache zeigt man, woher man kommt und wer man ist.
Viele Menschen in Brasilien sehen ihr Hunsrückisch nicht nur als informelles Gerede, sondern sie wissen, dass es ein Teil ihrer Geschichte ist.

Sprache als Verbindung zur Vergangenheit
Viele Familien haben die Sprache von Generation zu Generation weitergegeben.
Die Sprache verbindet sie mit ihren Pionier-Vorfahren, die aus Deutschland nach Brasilien gekommen sind.

Wenn eine Sprache verloren geht, geht auch ein Teil der Geschichte verloren.

Sprache im täglichen Leben
Genau wie vor zweihundert Jahren wird das Hunsrückische in vielen Familien auch heute noch ganz selbstverständlich weitergegeben. Es ist die Sprache von zu Hause, von Gesprächen mit den Großeltern und mit den Nachbarn. Wenn etwas Schönes passiert, dann wird es auf Deutsch gefeiert; wenn etwas Schlimmes oder Trauriges passiert, kommt alles aus dem tiefsten Herzen auf Deutsch aus dem Mund heraus. Da werden oft freche Geschichten weitererzählt, ein bisschen getratscht, geklagt und manchmal ein bisschen übertrieben und sogar gelogen.

Aber oft wird unsere Sprache nicht geschrieben.
Deshalb ist es so wichtig, dass Texte geschrieben und auch weiter geteilt werden.

Warum Schreiben wichtig ist
Wenn wir unsere Sprache nur sprechen, kann sie viel leichter und schneller verloren gehen. Das ist nicht nur eine persönliche Meinung: wissenschaftliche Studien und Untersuchungen zeigen ganz klar, dass das so ist. Wenn wir unsere Sprache aber auch schreiben, selbst unter Druck (wie es uns in der Zeit von Vargas passiert ist), bleibt sie länger bestehen und es wird viel schwieriger, dass sie aus der Welt verschwindet.

Texte auf Deutsch, in denen wir unsere Mundart erzählen, helfen im Internet dabei, dass immer mehr Menschen die Sprache sehen, sie nicht so schnell verlernen und sie auch neu lernen können.

Unsere Sprache ist ein Schatz
Wenn wir unsere Muttersprache benutzen, sprechen und schreiben, bleibt sie lebendig in der Welt.
So können auch die nächsten Generationen sie kennenlernen und benutzen.

Hunsriqueano Riograndense: língua e identidade

Ou seja, por que a nossa língua é importante para nós

Aqui escrevemos o nosso texto primeiro na nossa língua, depois em alemão padrão e, por fim, em português brasileiro, a nossa língua oficial nacional.

A língua materna de cada pessoa é uma parte fundamental da sua identidade mais profunda. Isso precisa ser dito, porque muitas pessoas crescem com apenas uma língua e por isso nunca precisam refletir sobre isso. É através da língua materna que mostramos de onde viemos e quem somos.
Muitas pessoas no Brasil não veem o Hunsriqueano apenas como uma fala informal, mas sabem que ele é parte da sua história.

A língua como ligação com o passado
Muitas famílias transmitiram a língua de geração em geração.
A língua as conecta com seus antepassados pioneiros que vieram da Alemanha para o Brasil.

Quando uma língua se perde, uma parte da história também se perde.

A língua na vida cotidiana
Assim como há duzentos anos, o Hunsriqueano ainda hoje é transmitido naturalmente em muitas famílias. É a língua de casa, das conversas com os avós e com os vizinhos. Quando algo bom acontece, é em alemão que se comemora; quando algo ruim ou triste acontece, tudo sai do fundo do coração em alemão. Ali muitas vezes são contadas histórias atrevidas, há um pouco de fofoca, reclamações e, às vezes, um certo exagero e até mentiras.

Mas muitas vezes a nossa língua não é escrita.
Por isso é tão importante que textos sejam escritos e também compartilhados.

Por que escrever é importante
Quando usamos a língua apenas na fala, ela pode se perder muito mais facilmente e rapidamente. Isso não é apenas opinião: estudos e pesquisas acadêmicas mostram claramente que é assim. Mas quando também escrevemos a nossa língua, mesmo sob pressão (como aconteceu conosco na época de Vargas), ela permanece por mais tempo e se torna muito mais difícil que desapareça do mundo.

Textos em alemão, nos quais expressamos a nossa variedade linguística, ajudam na internet a fazer com que cada vez mais pessoas vejam a língua, não a esqueçam tão rapidamente e também possam aprendê-la.

A nossa língua é um tesouro
Quando usamos a nossa língua materna, falamos e escrevemos, ela continua viva no mundo.
Assim, as próximas gerações também poderão conhecê-la e utilizá-la.

Carolina von Koseritz – Eine Frau zwischen den Sprachen

Zum Internationalen Frauentag

Carolina von Koseritz (1865–1930). Historische Fotografie.
Quell / Fonte: Wikimedia Commons.

Carolina von Koseritz woard 1865 in Porto Alegre geboar. Sie woor Lehrin, Journalistin, Schriftstellrin unn Üwersetzrin. Schon alswie junges Mädche hatt se geoorweidt in der Welt von der Idee unn Bücher. Also en Raum, wo domols nächst nuar zu Männer gehöert hatt.

En Frooh von der Literatuar in en anner Zeit

Carolina woor die Tochter von dem bekannte Schornalist unn Schriftsteller Carlos von Koseritz. Mit 17 Johre publizierte se ihre earste Texte. Sie hot üwer wichtiche Theme geschrieb: die Abschaffung von der Sklooverei, dem Froohmensch sein Freiheit unn das Verhältnis zu der Natuarwelt. Viele Froohe in ihrer Zeit harre kaum Zugang zur Schul. Carolina awer hatt schon ganz uff diskutiert, was es bedeidt, Froohmensch unn Stootsbeerchrin sin.[1][2]

Die Gesellschaft hatt von der deitschbräsiljoonische Froohe ganz enfach das gewoort: Still, Haus, Familje. Carolina hot domols jo en anner Wech für sich gewählt … ohne laut protestiere, awer doorrich Oorweit, Texte unn Bestännichkeit.

Es iss wichtich se beachte: Carolina iss aus en gut gebildte, städtische Familje rauskomm, wo Hochdeitsch als Haussproch geflecht woar — net der Dialekt von der Koloniee, wo meh rauszus im Interior geleht honn. Ihrer Vater hot fleissich geschrieb für die deitschsprochiche Inwannrer-Gemeinschaft, awer aus en hochdeitsche Bildungstradition raus. Die deitschbräsiljoonische Sprochenwelt woor nie enheitlich. Sie hot von der hochdeitsche Literatuarsproch von städtische Intellektuoole bis zum meh gewöhnlich Vollekssproch von der Koloniste gereicht … unn raus aus all dem, hot sich dann üwer Schenerationelang das gesprochne Riograndenser Hunsrückisch von heitztooch entwickelt.[3][4]

Zwische der Sproche: Deitsch, Bräsiljoonisch unn das deitschbräsiljoonische Lewe

Carolina woor ooch en fleissich Sproche-Üwersetzrin. Sie üwersetzte grousse Literatuar Weerke von Goethe, Schmid, Longfellow, Turgenjew, Byron unn Dickens. Also, zu merke, aus dem Hochdeitsche unn Englische ins Bräsiljoonische. Die Oorweit woor meh als Technik. Sie hot zwischich zwoot Sproche unn zwooi Kulture gelebt.[1][2]

Das Rio Grande do Sul vom dem 19. Joahrhunnerts woor keh ensprochiches Land. Newe portogääsisch Zeitunge hot es deitsche Zeitunge geb. Newe die weniche stootliche Schule, meh in der Grossstädt hot dann weitverbreit die Gemeindeschule uff Deitsch geb. Newe dem Bräsiljoonisch uff der Strasse hot sich deitsche Dialekte vermischt unn verännert … Sproche, wo sich hier, in Bräsilje, üwer 200 Johre entwickelt adaptiert honn.[3][4]

In dem Zusammerhang bekommt Carolina en zwette Bedeitung. Sie iss jawohl en Beispiel für en intellektuoole Frooh. Sie iss dann ooch noch en Beispiel fürs Lewe zwischich der Sproche; etwas, wo viele deitschbräsiljoonische Familjen bis heitztooch noch gut kenne.

Das Riograndenser Hunsrückisch alswie en Tehl von der Geschicht Rio Grande do Sul

Wenn ma’ heit vom Riograndenser Hunsrückisch spreche, meene ma’ en Sproch, wo sich jetzt schon meh wie 200 Johre in Bräsilje entwickelt hot, speziool im Bundesland Rio Grande do Sul. Sie hot deitsche Woorzle, awer sie woard tief geprächt doorrich das Bräsiljoonisch, doorrich annre Inwannrer-Sproche unn doorrich das Lewe in Bräsilje sein Fauna unn Flora. Es iss en bräsiljoonisches Deitsch, geboar unn gewachs in Bräsilje.[4][3]

Die Sproch iss keh Fremdkörper. Sie gehöert zu der Geschicht, zu der Kultuar unn zum Herz vom Stoot. In viele Gemeinde woar das Hunsrückisch die Sproch von das tächliche Lewe: Derheem, in der Keerriche, uff dem Land wo ma’ geschaft hot, im Handel, ganz lang bevoar das en Thema in Schule orrer Politik geb iss. Was heit manche Dokumente als immaterioolles Kultuarerbe anerkenne, iss das Ergebnis, es resulteart von das Lewe von Tausende von Mensche, wo üwer Scheneneratione in der Sproch gesproch, gesung, gebedt unn geschaft honn.[5][3][4]

Domols in Carolina ihrer Zeit hotts jo die sprochliche Vielfältichkeht schon geb. Awer das woor net etwas, wo wie en Erbe gesiehn geb iss. Was ma’ domols “Koloniste-Sprach” genännt hot, verstehn mear heite als Tehl von der bräsiljoonische sprochliche Diversität. Wenn ma’ an en Austorin sich erinnert, wo sich natearlich zwischich Deitsch unn Bräsiljoonisch bewecht hatt, lerne ma ooch, Sproche besser zu siehn, Sproch wo bis heit noch ruhich in unsre Gemeinde immer weiter lewe.

Carolina als Symbol mehrsprochich Bräsilje

Wenn mer die Geschicht von Carolina zum Froohe-Tooch weiter verzähle, mache ma’r’ zwooi Dinge gleichzeitich… Erstens: mear erkenne de Platz von en Frooh in der Literatuargeschicht von Rio Grande do Sul. En Frooh, wo geschrieb hot, wo üwersetzt hot, woe diskutiert unn weitergemacht hot, trotz persönliche unn materiloolle Schwierichkeite. Zwettens: mear zeiche, dass die Geschicht von dem Stoot net nuar uff das hoch Standard-Portogääsisch geschrieb woar. Se weerd ooch dorrrch zweisprochiche Erfoohrunge, reschionoole Variante unn Inwannrersproche geschrieb, wo bleiwenne Spure hintergeloss honn.[2][1]

Carolina iss net die Vertretrin von dem Riograndenser Hunsrückisch, die hot net in user Sproch geschrieb. Awer ihr Lewe unn ihr Weerk helwe uns se siehn: es gebt en deitschbräsiljoonische Tradition von Lese, Schreiwe unn Üwersetze. Die Tradition, mit ihre Verluste unn ihrem Vergess, iss der Bodem, uff dem heit der Schutz von der Sproche alswie Kultuarerbe wächst.[3][4][5]

Von Carolina ihre Bleifeder bis zu der Texte von heit

Wenn jemand heit earst uff Hunsrückisch schreibt unn dann uff Bräsiljoonisch, wählt ear orrer sie bewusst der Platz zwischich der zwooi Sproche. In Carolina sein Zeit woar das oft en gelebte Realität, es woor meahrstens net en bewusst Thema. Do gebts jo en still Kontinuität: die Idee, dass Denke, Fühle unn Schreiwe in meh wie nuar en Sproch ken Bedrohung für die bräsiljoonische Identität iss, awer dass das en echte Form von Bräsiljoonisch sin iss.[3]

Carolina von Koseritz kann alswie en symbolische Voarfoohrin von der Aussicht geles sin. Sie hot ken Sprachpolitik voarweerds geschubbt, wie mear das heitztooch verstehn. Awer se hot in ihrem eichne Lewe die Bewechung zwische der zwooich sprochliche Welte gelebt. Wenn mear se an hiedem Froohe-Tooch ehre, gewe mear Froche en Gesicht unn en Geschicht, wo uns noch heit tun begleite: Wear hot das Recht, das Wort zu nehmne? In was für Sproch däärref ma’ rede? Unn wear bleibt drauss, wenn ma’ nuar die offiziool Geschicht verzähle tut?

Die eahrlichste Hommoosch, wo ma’ Carolina gewe könne, iss vielleicht hiedie: Sie net nuar noch en Tooch zur en Statue mache, awer zu enem Ausgangspunkt. Ei en Ausgangspunkt, um annre bräsiljoonische Froohe se entdecke, wo ooch geschrieb honn unn vergess woorre. En Ausgangspunkt, um das Riograndenser Hunsrückisch unn annre bräsiljoonische Sproche mit meh Respekt umgehn… Sproche, wo zeit lang Zeit am Lewe vom Land tehlnehme unn langsam raus aus dem Schatte trete.[4][3]

Quellen / Fontes

[1] Carolina von Koseritz – Wikipédia

pt.wikipedia.org/wiki/Carolina_von_Koseritz

[2] Estudos Ibero-Americanos – PUCRS

revistaseletronicas.pucrs.br/iberoamericana/article/view/36354

[3] Hunsriqueano rio-grandense – Wikipédia

pt.wikipedia.org/wiki/Hunsriqueano_rio-grandense

[4] Idiomas de imigração mantêm viva cultura germânica há 200 anos no Brasil

estado.rs.gov.br/idiomas-de-imigracao-mantem-viva-cultura-germanica-ha-200-anos-no-brasil

[5] Parecer Técnico Hunsrückisch – IPHAN

gov.br/iphan/pt-br/assuntos/noticias/ParecerTcnicoHunsrckisch.pdf

Versão em português

Dia Internacional da Mulher

Carolina von Koseritz nasceu em 1865, em Porto Alegre. Foi professora, jornalista, escritora e tradutora. Ainda muito jovem, já atuava no mundo das ideias e dos livros — um espaço que, naquela época, pertencia quase só aos homens.

Uma mulher de letras em outro tempo

Carolina era filha do jornalista e escritor Carlos von Koseritz. Aos 17 anos, publicou seus primeiros textos. Escrevia sobre temas importantes: a abolição da escravidão, a liberdade da mulher e a relação com a natureza. Muitas mulheres de seu tempo quase não tinham acesso à escola. Carolina, porém, discutia publicamente o que significava ser mulher e cidadã.[1][2]

A sociedade esperava das mulheres teuto-brasileiras: silêncio, casa, família. Carolina escolheu outro caminho — não com protestos ruidosos, mas por meio do trabalho, dos textos e da constância.

É importante notar: Carolina vinha de uma família instruída e urbana, que cultivava o alto alemão como língua da casa — e não o dialeto das colônias rurais. Seu pai escrevia para a comunidade de imigração de língua alemã a partir de uma tradição culta em alto alemão. O mundo linguístico teuto-brasileiro nunca foi uniforme. Ia da língua literária dos intelectuais urbanos até a fala cotidiana das colônias — aquele alemão que, ao longo de gerações, se desenvolveu até o atual Hunsrückisch Riograndense.[3][4]

Entre as línguas: alemão, português e a vida teuto-brasileira

Carolina também foi uma tradutora incansável. Traduziu obras de Goethe, Schmid, Longfellow, Turguêniev, Byron e Dickens — do alemão e do inglês para o português. Esse trabalho era mais do que técnica. Ela vivia entre duas línguas e duas culturas.[1][2]

O Rio Grande do Sul do século XIX não era monolíngue. Ao lado de jornais em português, havia jornais em alemão. Ao lado das escolas estatais, havia escolas comunitárias em alemão. E ao lado do português das ruas cresceram dialetos alemães que, ao longo de quase duzentos anos, se desenvolveram aqui no Brasil.[3][4]

Nesse contexto, Carolina ganha um segundo significado. Ela não é apenas um exemplo de mulher intelectual. É também um exemplo da vida entre línguas — algo que muitas famílias teuto-brasileiras ainda conhecem hoje.

O Hunsrückisch Riograndense como parte da história do estado

Quando hoje falamos do Hunsrückisch Riograndense, falamos de uma língua que se desenvolveu no Brasil ao longo de cerca de 200 anos — especialmente no Rio Grande do Sul. Ela tem raízes alemãs, mas foi profundamente moldada pelo português, por outras línguas de imigração e pela vida brasileira. É um alemão brasileiro, nascido e crescido aqui.[4][3]

Essa língua não é um corpo estranho. Ela pertence à história, à cultura e ao coração do estado. Em muitas comunidades, foi a língua do cotidiano: em casa, na igreja, na roça, no comércio — muito antes de se tornar tema em escolas ou políticas públicas. O que hoje alguns documentos reconhecem como patrimônio cultural imaterial é o resultado da vida de milhares de pessoas que, ao longo de gerações, falaram, cantaram, rezaram e trabalharam nessa língua.[5][3][4]

No tempo de Carolina, essa diversidade linguística já existia. Mas raramente era vista como herança cultural. O que então se chamava de “língua de colonos”, hoje entendemos como parte da diversidade linguística brasileira. Ao recordar uma escritora que se movia naturalmente entre o alemão e o português, também aprendemos a enxergar melhor as línguas que ainda vivem — às vezes discretamente — em nossas comunidades.

Carolina como símbolo de um Brasil multilíngue

Quando contamos a história de Carolina no Dia da Mulher, fazemos duas coisas ao mesmo tempo. Primeiro: reconhecemos o lugar de uma mulher na história literária do Rio Grande do Sul — uma mulher que escreveu, traduziu, debateu e continuou trabalhando apesar das dificuldades pessoais e materiais. Segundo: mostramos que a história deste estado não é escrita apenas em português-padrão. Ela também passa por experiências bilíngues, variantes regionais e línguas de imigração que deixaram marcas duradouras.[2][1]

Carolina não é representante do Hunsrückisch Riograndense. Mas sua vida e sua obra ajudam a perceber algo importante: existe uma tradição teuto-brasileira de leitura, escrita e tradução. Essa tradição, com suas perdas e esquecimentos, é o solo sobre o qual hoje cresce o reconhecimento dessa língua como patrimônio cultural.

Da pena de Carolina aos textos de hoje

Quando alguém hoje escreve primeiro em Hunsrückisch e depois em português, escolhe conscientemente esse lugar entre as línguas. No tempo de Carolina isso muitas vezes era simplesmente uma realidade vivida — raramente um tema discutido. Há aí uma continuidade silenciosa: a ideia de que pensar, sentir e escrever em mais de uma língua não é uma ameaça à identidade brasileira, mas uma de suas formas legítimas.

Carolina von Koseritz pode ser vista como uma antepassada simbólica dessa postura. Ela não fez política linguística como entendemos hoje. Mas viveu, em sua própria trajetória, esse movimento entre mundos. Ao homenageá-la neste Dia Internacional da Mulher, damos rosto e história a perguntas que ainda nos acompanham: quem tem o direito de tomar a palavra? Em que língua? E quem fica de fora quando contamos a história oficial?

A homenagem mais honesta que podemos prestar a Carolina talvez seja esta: não transformá-la em estátua, mas em ponto de partida. Ponto de partida para redescobrir outras mulheres teuto-brasileiras que escreveram e foram esquecidas. E ponto de partida para olhar com mais respeito para o Hunsrückisch Riograndense e para outras línguas brasileiras que há muito participam da vida do país e que, pouco a pouco, saem da sombra.

Internationaler Tag der Muttersprache: Riograndenser Hunsrückisch (Hunsriqueano Riograndense) als lebendiger Teil der brasilianischen Sprachkultur

Heute ist der Internationale Tag der Muttersprache.

Dieser Tag erinnert uns daran, dass jede Sprache Wert hat – auch regionale und historische Sprachen wie das Riograndenser Hunsrückisch, in Brasilien auch bekannt als Hunsriqueano Riograndense. Seit fast zweihundert Jahren ist diese Sprache Teil der brasilianischen Realität.

Heit, meine liewe Leit, spreche ma’ üwer uns,
ei unser Moddersproch.

Das Riograndenser Hunsrückisch iss jo en Tehl von der bräsiljoonische sprochlich unn kulturool Mosaik.
Es iss hier gewachs.
Es iss dohie geblieb.
Es weerd jo dohier weiter gesproch.

Alswie Inwannrungssproch mit deitsche Hearkunneft hot sich das Hunsriqueano Riograndense in Bräsilje eichenstännich entwickelt. Es iss net enfach „altes Deutsch“, awer en lewendiche, gewachsne Sprochforrem mit sein eichne Geschicht, eichne Identität unn eichne kulturool Bedeitung.

Früher woard die Sproch vom bräsiljoonische Stoot verfollicht unn starrek unnerdrückt.
Ma’ wollt se aus dem öffentliche Lewe verdränge.
Ma’ wollt, dass sie verschwinne tät.

Awer sie iss net verschwunn.

Sie lebt noch.

In unsre Familje.
In unsre Erinnrunge.
In user Stross, Zung unn Lippe.
In unsre Lieder, traurich unn froh.
In unsre Gespräche.
In unsre Gedanke.

Schon zeit verschiedne Älter, verschiedne Scheneratione weerd das Riograndenser Hunsrückisch in Bräsilje weitergeb – oft nuar mündlich, oft im Verborchne, awer immer mit Herz.

Heit lewe ma’ in ene Demokratie.
Dodrum könne ma’ unsre Moddersproch ganz uff verzähle, freilich spreche unn dass ohne Bang, sichtboor mache.

Net nuar helich Derheem.
Net nuar im privat, wech von annre.
Awer ooch uff der Strosse.
In Público.
Im Internetz – zum Beispiel in Weihnachtsblume.
In Bücher – z.B. in Hunsrückisch em Prosa e Verso.
In Bildungsprojekte.
In kulturol Initiative.

Unser Moddersproch muss neemeh versteckelt sin.

Das Riograndenser Hunsrückisch gehöart jo zu der reiche sprochliche Dieversität von Bräsilje.
Es iss Tehl von der bräsiljoonische Sprochkultuar.
Es iss Tehl von der bräsiljoonische Geschicht.
Unn es iss Tehl von unser Identität.

Heit feire für etwas wichtiches:

Für Erinnrung.
Für Weard.
Für sprochliche Freiheit.
Für kulturool Kontinuität.
Für die Zukunft von unser Hunsriqueano Riograndense in Bräsilje.

Dreimol Hoch!

Hoch!
Hoch!
Hoch!

Lang lew unser liewe Moddersproch!
Lang lewe das Riograndenser Hunsrückisch!
Lang lewe, viva o Hunsriqueano Riograndense!


Dia Internacional da Língua Materna: Hunsriqueano Riograndense como parte viva da cultura linguística brasileira

Hoje é o Dia Internacional da Língua Materna.

Este dia nos lembra que toda língua tem valor — inclusive línguas regionais e históricas como o Hunsriqueano Riograndense, também conhecido como Riograndenser Hunsrückisch. Há quase duzentos anos, essa língua faz parte da realidade brasileira.

Hoje vamos falar de nós.

O Hunsriqueano Riograndense é parte íntegra do riquíssimo mosaico linguístico e cultural do Brasil.
Ele cresceu aqui.
Permaneceu aqui.
Continua vivo aqui.

Como língua de imigração, de herança, de origem germânica, desenvolveu-se de forma própria em território brasileiro, fazendo parte da histórica jornada de formação do país. Não é simplesmente um “alemão antigo”, uma língua estrangeira, mas uma forma linguística viva, com história, identidade e significado cultural próprios.

No passado, essa língua foi metódicamente perseguida e agressivamente reprimida pelo Estado do Brasil.
Tentaram retirá-la da vida pública.
Tentaram fazê-la desaparecer.

Mas ela não sumiu.

Ela continua viva.

Em nossas famílias e comunidades.
Em nossas nossas mentes e na memória coletiva.
Em nossas canções alegres e melancólicas.
Em nossas conversas, nas nossas piadas e preces.
Em nossos pensamentos e esperanças.

Por gerações, o Hunsriqueano Riograndense foi transmitido no Brasil … muitas vezes invisibilizado, somente de forma oral, muitas vezes de maneira extra discreta, mas sempre com afeto.

Hoje vivemos em uma democracia.
Por isso podemos falar no aberto e deixar visível a nossa língua materna.

Não apenas dentro de casa, no fundo do quintal.
Também na rua, no supermercado, no transporte coletivo.
Em público, em qualquer lugar.
Na internet.
Em livros.
Em projetos educacionais.
Em iniciativas culturais.

Nossa língua materna não precisa ser mais escondida.

O Hunsriqueano Riograndense faz parte da diversidade linguística brasileira, isso é inquestionável.
Faz parte da história do Brasil.
E faz parte da nossa identidade.

Hoje não celebramos contra algo, mas sim …
Celebramos a favor:

Da memória.
Da dignidade.
Da diversidade linguística.
Da continuidade cultural.
Do futuro do Hunsriqueano Riograndense no Brasil.

Três vezes viva,
Minha gente amada!

Viva!
Viva!
Viva!

Viva nossa querida língua materna!
Viva o Riograndenser Hunsrückisch!
Viva o Hunsriqueano Riograndense!

Estrela, RS — 150 Anos de História | Stadt Strelle, RS: 150 Johre Geschicht

Die Stadt Estrela/Strelle, RS, Bräsilje, feiert 150 Jahre – Arbeit, Kultur, Gemeinschaft und unsere Moddersproch.

Heit feiert ma’ die 150. Johre Gründung von der Stadt Strelle in der Altkolonie Reschion von Rio Grande do Sul. En fröhliche stolze Tooch für unser Gemeind! Dreimol Hoch für unser alt beliebte Moddersproch!!!

Hoje comemoramos os 150 anos de fundação da nossa querida Estrela, na região das Colônias Velhas, no Rio Grande do Sul. Uma trajetória marcada pelo trabalho, pela cultura e por uma comunidade vibrante.

Parabéns pelo seu 150º aniversário, Estrela, RS! Três vivas pra nossa preciosa língua materna, nosso alemão regional Riograndenser Hunsrückisch!!!

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Schick hieder Beitrooch/Text weiter on dene, wo unser Deitsch verzähle, gell?!

Licht- und Klangshow in den Jesuitenruinen: São Miguel das Missões, RS – Brasilien

São Miguel das Missões – „Espetáculo Som e Luz“ (Ton- & Lichtspektakel)

En koortz Üwerblick

Platz / Ort: Ruine von São Miguel Arcanjo (UNESCO-Welterbe), Stadt São Miguel das Missões, Bundesstoot Rio Grande do Sul / RS; Neikolonie-Reschion / Missione-Reschion. 
Orischinool-Titel: Espetáculo Som e Luz.
Wann: Tächlich, Omends. 
Thema: Geschicht von der Jesuit-Guarani-Missione – ihrer Entstehung, Blüt unn Enn. 
Oonfang / Start: 1978; gilt alswie ens von der ältste loofende Spektakle von seiner Oort in Bräsilje. 
Sprecher-Ensemble: unner anre sinn Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Paulo Gracindo, Juca de Oliveira, Rolando Boldrin, Maria Fernanda, Armando Bogus. 
Dauer: ca. 48 Minute. 

Was ma’ do erlebt

Das Ton- unn Licht Spektakel projekziert Licht, Ton unn Erzählung uff der barock Reduktions-Keerrich. Die Sprecher-Stimme führe enem alswie Zuschauser doorrich die Geschicht von der Missione, inklusive ihrer tächlich Lewe, ihrer Konflikte unn ihrer Ufflösung. 

Platz & Roohm

Ufführungsplatz iss das Sítio Histórico São Miguel Arcanjo – die berühmte Ruine von der Jesuit-Reduktion, en UNESCO-Welterbe. Also das macht joo die Show zugleich zu en Geschichtsstund unnich freiem Himmel. 

Entstehung & Kontinuität

Die Show looft zeit 1978 nächst täglich unn gilt in ihrem Show-Genre alswie speziool traditionsreich. 

Stimme & Dramaturschie

Der Text von Henrique Grazziotin Gazzana weard von bekannte bräsiljoonische Aktorinne unn Aktore, also hoche Kaliber Schauspielerinnen unn Schauspieler gesproch (wie schon uwe erwähnt, mit Fernanda Montenegro u. a.), was der Erzählung en starrek, cineastische Weerkung gebt. 

Dauer & Sproche

Die Voarstellung dauert ungefäehr 48 Minute. Newe das Bräsiljoonische (also Portugiesisch) gebt ‘s je noh Temporada Saison-Termine uff Kastilhoonisch (also Spanisch) unn Englisch (das iss dann immer Programm-abhängich). 

Tickets / Bilhetts & praktische Dikas / Hinweise / Tipps

Tickets: Im Platz zu abkoofe; reschionoole Portale unn die Stadt/RS-Turismo publiziere die Zeite unn Preise. 

Museum: Das Museu das Missões am Gelände vertieft jo der historische Kontext – ideal voar orrer noh der Show.  Zeitpläne ännre sich noh dem Joahrzeit / Saison. Prüf die genau was die Uahrzeite sinn uff der offizioolle Web-Seit von der Stadt / Munizip bzw. von der RS-Turismo. 

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São Miguel das Missões – Espetáculo Som e Luz (PT-BR)

Visão geral

Local: Ruínas de São Miguel Arcanjo (Patrimônio Mundial UNESCO), município de São Miguel das Missões, RS.  Nome oficial: Espetáculo Som e Luz, apresentado diariamente ao anoitecer.  Conteúdo: Narrativa da experiência Jesuítico-Guarani – origem, auge e desfecho.  Desde: 1978; um dos mais antigos do gênero em exibição contínua no Brasil.  Narração: vozes de Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Paulo Gracindo, Juca de Oliveira, Rolando Boldrin, Maria Fernanda e Armando Bôgus.  Duração: aprox. 48 minutos. 

O que se vê e se ouve

Luzes, trilha e narração transformam a fachada da antiga igreja em um palco de memória viva. A dramaturgia percorre o cotidiano missioneiro, conflitos e a posterior dissolução das reduções. 

Onde acontece

No Sítio Histórico São Miguel Arcanjo, conjunto arqueológico icônico e Patrimônio da Humanidade. A ambientação a céu aberto potencializa a experiência. 

Trajetória

Criado em 1978, o espetáculo mantém estrutura clássica e apresenta-se diariamente há décadas. 

Elenco de vozes

Texto de Henrique Grazziotin Gazzana, interpretado por nomes de peso do teatro e da TV, conferindo alta qualidade artística à narrativa. 

Duração e idiomas

A sessão dura cerca de 48 minutos. Além do Português, há programações sazonais em Espanhol e Inglês (consulte a agenda). 

Ingressos e dicas

Ingressos: normalmente vendidos no local; confira canais oficiais e anúncios locais para horários/preços atualizados. 

Museu: o Museu das Missões no próprio sítio complementa a visita com acervo e contexto histórico.  Horários variam por estação. Verifique a programação na página da prefeitura/RS Turismo antes da visita. 

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Observação: Informações (ano de criação, elenco de vozes, duração, local e horários) confirmadas em páginas oficiais/locais e do museu; horários e venda de ingressos podem mudar conforme a temporada.

Quando “saber uma língua” significa coisas diferentes: notas sobre comunicação entre brasileiros e europeus

Pessoas de países grandes e que geralmente se imaginam como monolíngues, como os Estados Unidos e o Brasil, quando interagem com europeus muitas vezes dizem coisas como “Eu sei inglês mais ou menos” ou “Me viro no alemão!”. Um suíço provavelmente vai pedir esclarecimentos, talvez querendo saber se você domina só a fala ou também a escrita. Já ouvi holandeses dos Países Baixos dizerem que gostavam de ler romances em alemão, mas que falar eles não sabiam de jeito nenhum; além disso, qualquer sotaque regional de alemão já os fazia se perder na compreensão.

Resumo: vale a pena a gente se preparar para ser mais específico.

Na mesma linha, o costume de simplesmente dizer que algo — digamos, uma comida — é “típica” não faz muito sentido para muitas pessoas na Europa. A palavra “cultura” também pode causar mal-entendidos. Muita gente usa “cultura” para se referir a trabalhos manuais, folclore etc. Já para outros, “cultura” significa especificamente museus, artes visuais, orquestra sinfônica e assim por diante.

Aprender um idioma vai bem além das palavras, mas a boa comunicação depende em grande parte do compromisso de querer compreender o outro lado durante o diálogo.

Detalhe: uma das vantagens de aprender um idioma é que aprender um terceiro fica bem mais fácil. No caso de quem cresce falando um regionalismo alemão sul-brasileiro — mesmo que só na informalidade e apenas na oralidade — a pessoa já tem “as manhas”, por assim dizer, ao entrar em contato com uma nova língua. E, ao aprender inglês, já vem com uma imensa bagagem terminológica (apesar dos falsos cognatos — mas isso é outra história).

Halt eich gesund unn munter!

— Paul

Nota: as quatro habilidades fundamentais no uso de uma língua são ouvir, falar, ler e escrever. Ouvir e ler são habilidades receptivas, enquanto falar e escrever são habilidades produtivas.