O Império do Brasil promoveu a imigração alemã no Século 19 e esta canção-propaganda foi ouvida por toda a região do Hunsrück e suas redondezas:

Screen Shot 2014-03-05 at 9.21.18 AMAbschied der Auswanderer von ihrer Heimat (1846) von Karl Wilhelm Hübner (1814-1879).

Werbelied zur Auswanderung nach Brasilien

(in der Mitte des 19. Jahrhunderts im Hunsrück zur Drehorgel auf den Dörfen gesungen)

Hannes, nach Brasilien ziehn
Übermorgen all wir hin.
Sag es auch der Hannes-Gret
Sonst kommt sie am Ende zu spät.
Vergesse nicht die Krischels Baas
Aus der krummen Buckelsgaas
Und der Mattes von der Lay
Ist mit Euch so gern dabei.
Kommt mit mir, es ist noch Zeit,
Holland hält das Schiff bereit.
Hannes, Hannes zieh mit mir,
Nach Brasilien wandern wir
In das Land so riesengroß,
Und jeden Tag schlacht man ein Schwein
Und trinkt dabei den besten Wein.
Für Pfoten, Leber, Scheineköpf
Sind viel zu klein die vielen Töpf.
Drum Hannes, Hannes säume nicht,
Das Schiff in Holland wartet nicht.
Man schafft nicht dort um knappen Sold,
Die Erde strotzet vor lauter Gold
Es ist ein Stück vom Paradies,
Das Gott den armen Menschen ließ,
Die täglich flehn in tiefer Not
Um ein kärglich Stücklein Brot.
Dort gibt es keine Sorgenlast,
und jeder findet Ruh und Rast.
Oh Hannes, Hannes, säume nicht.

Quell: Facebook
Wolfgang Schubert
Vielen Dank, Herr Schubert!

Paul Beppler
Riograndenser Hunsrückisch
Facebook Community Admin.
22. Oktober 2014
Seattle, WA – USA.

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Minderheitensprachen
und der Staat

Screen Shot 2014-08-22 at 12.20.57 AM

Para o resgate e proteção da nossa língua materna:

É preciso que seja iniciado um projeto a nível estadual (possivelmente coordenado com outros estados) para sistematicamente colocar placas-de-rua oficiais bilíngues nas zonas históricas da língua alemã no Rio Grande do Sul. Devolver a língua à visibilidade, à vida pública especial e especificamente pelo governo é tanto justo como urgente – inquestionavelmente é preciso reverter este triste quadro de termos uma língua regional prestes a completar duzentos anos de existência, porém classificada pelos mais importantes e sérios órgãos internacionais de monitoramento de idiomas em perigo de extinção como uma língua marcada para morrer.

Linguicídio vai contra muitos dos tratados internacionais firmados pelo Brasil. Mas esse tipo de coisa não se leva a sério em nosso país – quando algum grupo minoritário se auto-identifica, se levanta para exigir direitos, a primeira coisa que passa na cabeça da maioria das pessoas é desqualificar, desfazer, desconstruir a identidade do outro. O Estado reprimiu, passou da hora dele se redimir.

No sul do Brasil se encontra a única população do mundo que tem a língua alemã como língua materna, a qual é, como um todo, em sua maioria, analfabeta em sua própria língua de berço – resultado direto das políticas linguísticas desumanizadoras de nosso Estado; e pessoas falantes dessa língua frequentemente são tratadas como “burras” por isso; e infelizmente, com o tempo, conforme pode ser facilmente constatado, passaram a acreditar elas mesmas nas postulações firmemente fundamentadas em preconceito e ignorância … tipo que sua língua é errada, vulgar, ignorante, que nem mais alemão é, que nem se qualifica como língua, é uma mistureba, nem patuá é, quer dizer, seus falantes só emitem sons de barr-barr-barr entre sí, feito bichos … Ora, não é de surpreender que tais vítimas passassem a exibir um profundo desdém para com aquelas coisas que as identificam, como por exemplo a língua da sua Mama.

As políticas públicas do Estado brasileiro sim foram desumanas, visando o explícito extermínio de um falar ancestral que faz parte integral dos processos colonizadores do Império do Brasil. Depois da repressão Estatal de Vargas com a Campanha de Nacionalização, tendo arbitrariamente designado culpa coletiva sobre todo um segmento de sua própria população, por anos ficou proibido se alfabetizar milhões de crianças em sua língua materna. A doutrina do monolinguísmo é absurdamente totalitária.

Fico estarrecido como se montam conferências em nosso estado, em universidades ainda, pra discutir, por exemplo como minorias estão utilizando mídias sociais para obterem suas reivindicações históricas … mas de línguas minoritárias do estado, nem um palestrante (em termos de Riograndenser Hunsrückisch penso imediatamente no nome do prof. Dr. Cléo Altenhofen, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul / UFGRS); obviamente não faltam experts do mundo acadêmico, pessoas altamente qualificadas para tratar deste assunto … quer dizer, infelizmente nem dando um toque as pessoas se tocam.

Celebra-se anualmente no mundo inteiro o Dia da Língua Materna, numa tentativa de alertar as pessoas que, assim como a fauna e a flora, em cem anos noventa porcento das línguas menores terão desaparecido pra sempre – enquanto isso talvez até um quarto da população gaúcha fala o dialeto alemão-riograndense com algum grau de fluência, uma língua brasileira sui generis, por vezes perseguida violentamente, outras vezes propositalmente, calculadamente ignorada … ora, numa data dessas o estado inteiro devia celebrar com grandes festejos e programações, produções SOBRE e NAS muitas línguas regionais e minorizadas de nosso estado.

A língua alemã é a segunda língua mais falada do/no Brasil, depois de nossa língua nacional … mas a vasta maioria dos/as brasileiros/as nem sabe disso – em muitos casos nem quer saber. Francamente, é preciso atuar almejando um nível bem mais elevado de relevância do tem sido demonstrado na esfera do bilinguísmo em nosso estado até hoje.

O estado do Rio Grande do Sul devia ter uma Secretaria de Línguas Minoritárias.

Paul Beppler
Riograndenser Hunsrückisch
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22. Oktober 2014
Seattle, WA – USA.

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Der Wech net gang

Screen Shot 2014-08-13 at 4.43.14 AM

Aus dem Englische
“The Road Not Taken”
von Robert Frost
(“Mountain Interval” / 1916)

Der Wech net gang

Zwooi Weche trennde sich [voar mir] in enem Wald, und Ich –
Ich honn der ene genoohm, wo wenicher getret woar;
Und das hot [für mich] alles gerännert.

[ … ]

Übersetzung von Paul Beppler,
Gemacht am 13. August 2014

Original de Robert Frost:
“The Road Not Taken”
(“Mountain Interval” / 1916)

A estrada que não tomei

Dois caminhos divergentes em um capão, e eu –
Eu tomei aquele que era o menos trilhado,
E foi a decisão que [pra mim] tudo mudou.

[ … ]

Tradução de Paul Beppler
Feita em 13 de agosto de 2014

The Road Not Taken
(“Mountain Interval” / 1916)

Two roads diverged in a wood, and I –
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.

[ … ]

by Robert Frost,
American poet
(1874-1963)

Screen Shot 2014-08-13 at 4.37.30 AM

Paul Beppler
Riograndenser Hunsrückisch
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Seattle, WA – USA.

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Die Palz

Winzergasse Gleiszelle – Die Pfalz (o Palatinado / the Palatinate). Screen Shot 2014-08-12 at 12.52.00 PMDas dohier ist en Bild von Dr. Manfred Holz (sie Gleiszellen-Gleishorbach / Wikipedia-Deitsch, die Freie Internetz-Enzyklopädie)

IMPRESSÕES DO PALATINADO ANTIGO, REGIÃO LOCALIZADA NO SUDOESTE DA ALEMANHA.

O Palatinado fica junto às regiões do Hesse, Hunsrück, e da vizinha região francesa da Lorena (em alemão Lothringen), do Luxemburgo, onde se falam dialetos alemães que ganham diferentes nomes mas que pertencem ao grupo de falares Westmitteldeutsch (alemão centro-ocidental). Muito embora o luxemburguês (Luxemburguisch em alemão) tenha ganhado o status de língua nacional, muito embora o chamado Lothringisch Platt falado na reigião de Lorena, na França, jamais iria se auto-intitular de “Hunsrückisch”, na prática o dialeto “Hunsrücker Platt” do sudoeste alemão é muito mais do que mutualmente inteligível, de tão próximos e similares que são esses falares. Também houve transplante de dialetos desse tronco germânico para além-mar, dando emergência ao Riograndenser Hunsrückisch ou Hunsriqueano Riograndense no sul do Brasil com cerca de três a quatro milhões de falantes (Atenção: existem outras variantes de alemão no Brasil com um número bem mais baixo de falantes); e similarmente na América do Norte surgiu o chamado Alemão da Pensilvânia ou Pennsylvania Deutsch (Nota: Dialetos muitas vezes tem vários nomes diferentes, e várias grafias divergentes de seu nome, quer dizer bem ao contrário do que ocorre com as imponentes e absolutas línguas dominantes, oficiais, sancionadas pelos seus devidos Estados).

die Pfalz (uff Deitsch/auf Deutsch/em alemão)
o Palatinado (uff Brasilioonisch/auf Portugiesisch/em português)
the Palatinate (uff Englisch/auf Englisch/em inglês).

https://pt.wikipedia.org/wiki/Palatinado

Valeria notar que no dialeto local, pertencente ao tronco Rheinfränkisch a combinação de letras “pf” do alemão-padrão oficial não faz parte – portanto as pessoas da região do Palatinado se referem ao falar em seu dialeto, à “die Palz” em vez de “die Pfalz”; igualmente no que toca o próprio nome do dialeto, o qual é conhecido por todo o país como “Pfälzisch”, porém, ao conversarem entre sí no dialeto local, as pessoas o chamam “Pälzisch”.

Seria importante a gente notar que, em se tratando de dialetos, nem todas as pessoas que residem em e que naturais de regiões da Alemanha onde existem “fortes” dialetos locais, realmente falam essas antigas variantes regionais do idioma alemão (em geral, quanto mais jovem for o indivíduo, mas afastado do dialeto). Sim pois a partir da II Guerra Mundial houve uma forte tendência de padronização da língua, especialmente dada a expansão e disponibilização geral dos meios de comunicação em massa, como a televisão. Porém, hoje em dia a nova onda por toda a União Européia é salvaguardar as línguas menores, reenforçar aspectos das culturas regionais, como as tradições gastronômicas antigas, os idiomas e falares regionais, as expressões folclóricas, etc. Se a fase inicial da expansão dos meios de comunicação em tempos modernos foi detrimental para as línguas e dialetos menores, agora em seu atual estado, nesta grande revolução nos meios de comunicação que estamos vivenciando, onde cada qual pode publicar o que quer, onde pessoas com interesses mútuos podem se agrupar livremente através da internet …. o contrário está acontecendo ultimamente, sendo que esta revolução nos meios de comunicação absolutamente sem precedentes históricos, está de fato permitindo que as pessoas com interesses similares se encontrem e se organizem organicamente … ou seja, ultrapassando os tradicionais “gate keepers” da informação, os controladores e prescritivistas e ditadores de identidades e de gostos e de costumes.

Paul Beppler
Riograndenser Hunsrückisch
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Seattle, WA – USA.

Screen Shot 2014-01-29 at 12.07.28 AM

Die Ruh …

Wandrers Nachtlied
Johann Wolfgang von Goethe

Üwwich all der Gipple
Ist Ruh,
In alle Wipple
Spearst du,
Kaum en Hauch;
Die Vöchelcher schweiche im Wald.
Woort norre, bald
Ruhst du auch.

Hiedie Üwersetzung/Adaptation ins Riograndenser Hunsrückische
honn ich sellebst, der Beppler Paul, am 12. Aug. 2014, gemacht.

Paul Beppler
Riograndenser Hunsrückisch
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Seattle, WA – USA.

Screen Shot 2014-01-29 at 12.07.28 AM

Wo sin meine Bücher?

Estaria passando pela tua cabeça algo como:
MINHA NOSSA, CRESCI FALANDO O ALEMÃO MAS NEM SEI COMO SE DIZ CERTAS COISAS BÁSICAS … COMO “JORNAL” NA MINHA PRÓPRIA LÍNGUA.
Vou deixar aqui uma sugestão mata-preguiça pra vocês interessados/as em aprimorar seus conhecimentos linguísticos:
Toda vez que você for procurar uma palavra no dicionário, sempre atente (não precisa memorizar decorado pra ter na ponta da língua … mas ATENTE, OLHE, EMPRESTE UNS SEGUNDOS para perceber como se constroi o plural do mesmo termo, e também, de passagem, como se constroi o feminino dessa palavras.
Aqui daremos uma olhadela em alguns exemplos para ilustrar isto:
o escritor [um homem] | a escritora [uma mulher] | os escritores [dois ou mais homens] | as escritoras [duas ou mais mulheres] | os escritores [um grupo mixto de homens e mulheres … que pode contar com nove mulheres e somente um homem, mas na língua portuguesa, o correto é dizer “os escritores” pois prevalece favorecido sempre a sensibilidade à imagem masculina presente em tal grupo – basicamente a língua em si reflete o chauvinismo sexista incrustrado na sociedade]. Pois bem, vamos lá trocar a coisa em miúdos:
o escritor = der Schriftsteller
os escritores = die Schriftsteller* [dois ou mais homens; ou um grupo mixto de]
a escritora = die Schriftstellerin
as escritoras = die Schriftstellerinnen
http://dict.leo.org/ptde/index_de.html#/search=escritor&searchLoc=0&resultOrder=basic&multiwordShowSingle=on

*Por isto é bom prestar atenção a estas coisas: pois há casos nos quais o plural masculino fica igual ao singular masculino, i.e. vide acima; mas só que isto nem sempre fica desse jeito, deixa eu mostrar pra vocês aqui, por exemplo: “o autor de romances” ou “der Romanautor” no plural http://dict.leo.org/ptde/index_de.html#/search=Romanautor&searchLoc=0&resultOrder=basic&multiwordShowSingle=on fica “die Romanautoren” – terminando com um “en”, ou seja, não é igual ao caso acima, “der Schriftsteller” = o autor e “die Schriftsteller” = “os autores”.

DITO ISSO, preciso falar umas coisas aqui … sim precisamos do alemão padrão para desenvolvermos uma escrita para nossa língua minoritária, não temos outra opção senão nos agarrar-mos ao alemão-standard – para dele subtrair como ficariam as palavras em nosso dialeto … por exemplo, nós sabemos que não se fala “die Lehrerinnen” para “as professoras” no nosso dialeto; mas que a gente diz de fato, no nosso jeito de falar, é “die Lehrerinne”. E só pra pegar o exemplo que dei acima, “die Schriftelerinnen” na nossa fala isto fica “die Schriftstellrinne” … e sim é preciso DEFINIR esses detalhes em uma só fonte, registrar TODAS AS COISAS DESTA NATUREZE em um só livro e/ou website UNIVESALMENTE ACESSÍVEL, DE GRAÇA, SEM ENROLAÇÃO, SEM FICAR PRIMEIRO COLETANDO DADOS PESSOAIS DE NINGUÉM, MAS PENSANDO SOBRETUDO EM AJUDAR A NOSSA LÍNGUA SOBREVIVER, E PARA TAL É FUNDAMENTA ELA GANHAR UMA ESCRITA … e no que se refere ao mundo acadêmico, eu diria isto à academia, olha pessoal, nem adianta muita coisa ficar acumulando estudos e mais estudos que meramente observem e registrem em essays obscuros, que ficam enterrados nos anais da bibliotecas das faculdades … certos pontos da nossa língua, que fiquem registrando seu estado de existência precário como meros/as observadores/as experts para acumular medalhas no seu mundo do saber científico … e sem que seu trabalho se traduza em melhoramentos concretos para esta população linguística. Não é mais novidade, está mais do que sabido que a nossa língua ficará sempre cambaleando junto ao abismo do desaparecimento sem que medidas concretas sejam tomadas HOJE, AGORA, PRA ONTEM para reverter esse estado difícil que resultou de políticas de Estado nefastas em temos ainda bem presentes na consciência, na memória coletica deste corpo de falantes de uma língua classificada como em perigo de extinção. Tem outra, ao conscientizarmo-nos sobre nosso dialeto precisamos nos esforçar para nos desprendermos dos preconceitos contra ele, sejam eles preconceitos internos, internalizados, ou discriminações vindo de fora, prejuízos externos a nós impostos. O preconceito conta a língua impede na prática a busca de saber. O certo mesmo seria campanhas de conscientização. Nos meios de comunicação a gente precisa certos horários reservados ao dialeto falado nas comunidades desde a sua fundação. O sistema escolar também precisa fazer algo. As instituições que se ocupam com a cultura teutobrasileira precisam fazer mais explicitamente no que toca o idioma – especialmente em datas comemorativas.
Sim precisamos, portanto, abservar, atentar, procurar ver e percebera a diferença entre o nosso dialeto Riograndenser Hunsrückisch e o alemão-padrão, justamente como tentei mostrar aqui neste post … sim pois não temos outra opção pois não temos nem um dicionário completo e nem uma gramática abrangente … NÓS SOMOS MILHÕES DE FALANTES DO RIOGRANDENSER HUNSRÜCKISCH MAS NÃO TEMOS UM DICIONÁRIO – espero que vocês se dêem conta do absurdo que éisso, de quão anormal isso é, sim QUE ISTO NÃO É NORMAL!!!! Nem é normal ou aceitável que não tenhamos uma gramática que deixe claro e explicitado as regras que regem a nossa fala regional alemã. Praticamente todo mundo sabe que no Hochdeitsch não se deve, não se pode, ou que seja de forma alguma aceitável construir uma frase como, tipo, esta aqui (mas que isso é perfeitamente corriqueiro na nossa língua):
“Der Peter seine Kinner sin net Heem gang.” (“As crianças do Pedro não foram pra casa”.)
O que no alemão-padrão ficaria algo como: “Peters Kinder sind nicht nach Hause gegangen.”
(Acho que ficou correto, não estou 100% certo disso!).
SE TIVÉSSEMOS UMA GRAMÁTICA, A GENTE IRIA PODER ESCREVER A LÍNGUA DA GENTE COM NORMALIDADE … e vis-à-vis o alemão-standart, ia saber se defender escrevendo também pelo menos num nível basiquinho no Hochdeutsch. O abandono e desdeixe ao qual foi relegad o nosso idioma regional não cansa de me deixar perplexo… Que fique bem claro, não existe seque um argumento convincente ou um argumentinho plausível que possa justificar adequadamente o porquê de não existir uma gramática completa e abrangente que explique como funciona a nossa língua regional, e um dicionário de Hunsrückisch – Hochdeutsch – Português – Espanhol (e conostruído, estruturado em seu design inicial com planos de que futuramente se possa adicionar outros idiomas maiores e menors, o que for).

Paul Beppler
Riograndenser Hunsrückisch Community Admin.
11. August 2014
Seattle, WA – USA.

Screen Shot 2014-01-29 at 12.07.28 AM

Minnerheitsproche • Reschionoolsproche • Línguas minoritárias • Línguas regionais

Jede Tooch - Jeden Tag - Paul Beppler - Riograndenser Hunsrückisch 2014-02-22 at 12.36.11 AM

O ESTUDO DO BILINGUISMO E DA DIGLOSSIA PARA UMA PERSPECTIVA LINGUÍSTICA EDUCATIVA
Franciele Maria Martiny (UNIOESTE)
franmartiny @ hotmail . com 1
Camila Menoncin (UNIOESTE)
kami – menoncin @ hotmail . com 2

RESUMO:
O objetivo deste artigo é mostrar um ponto de vista pluricultural em que os conceitos em torno da diglossia (sob o enfoque do bidialetalismo) e do bilinguismo (sob a abordagem plurilíngue)
sejam tomados como complexos fenômenos linguísticos que abrangem relações sociais e culturais mais amplas. A referida temática poucas vezes é abordada em sala de aula, mesmo em nível superior. Por isso, defende-se a necessidade de rever e refletir sobre ambos os conceitos e com eles trabalhar para que possa haver uma linguística educativa plurilíngue no contexto escolar.
Até porque, um dos problemas observados é em torno das línguas de imigrantes que ainda são ensinadas nas comunidades, tanto ideológica como metodologicamente, como línguas estrangeiras, sem respeitar e tratar os dados sócio-históricos referentes à origem étnica e à hibridização interna dos dialetos com a língua institucionalizada. Situação devida, em grande parte, às políticas linguísticas repressivas e homogeneizadoras ao longo da história linguística do Brasil. A fim de refletir sobre esse cenário, primeiramente, neste estudo, será feito um levantamento bibliográfico acerca dos conceitos de bilinguismo e diglossia, para após, mencionar os contextos linguísticos e sociocultuais de regiões de imigração, propondo, na sequência, dentro da sociolinguística, uma linguística educativa bilíngue que possa contribuir para que, realmente, os direitos linguísticos destes grupos minoritários sejam respeitados.

PALAVRAS-CHAVE: Bilinguismo, diglossia, pluriculturalismo, ensino.

ABSTRACT:
The purpose of this paper is to show a pluricultural point of view in what the concepts around diglossie (on the focus of bidialetalism) and bilingualism (on a plurilingual approach) are
seen as complex linguistic phenomenons that engage wider social and cultural relationships.
The referred thematic is broached few times in the classroom, even in graduation level. Because of it, it is defended the necessity of reviewing and reflecting about both concepts and work with them to make an educative plurilingual linguistic in the school context. Even why, one of the problems observed is about the immigrants languages that are still taught on the communities, as ideologically as methodologically, like foreign languages, without respecting and treating sociohistorial data witch refer to the ethnic origin and the inner hybridization of the dialects with the institutionalized language. Situation under, in great part, the reprehensive and homogenizer linguistic politics through the Brazilian linguistic history.
To reflect about this scenery, first, in this research, it is going to be made a bibliographic survey about the concepts of bilingualism and diglossie to, after that, mention the linguistic and sociocultural contexts from immigration regions, proposing, on the sequence, inside the sociolinguistic, a bilingual educative linguistic which can contribute to, actually, the linguistic rights of these minority groups be respected.

KEYWORDS: Bilingualism, Diglossie, Pluriculturalism, Teaching.

1 Aluna do Doutorado do Curso de Pós – Graduação Stricto Sensu em Letras – nível de Mestrado e Doutorado, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), bolsista da CAPES. Orientada pela Profa. Dra. Clarice Nadir von Borstel.
2 Aluna do Mestrado do Curso de Pós – Graduação Stricto Sensu em Letras – nível de Mestrado e Doutorado, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).
Orientada pela Profa. Dra. Clarice Nadir von Borstel.

INTRODUÇÃO

Os estudos em torno da língua/linguagem estão – e sempre estiveram – relacionados a concepções teóricas que refletem a forma de pensar de uma determinada sociedade ou grupo, ao longo do percurso da história da pesquisa científica.
Nesse sentido, é necessário mencionar os vários conceitos que são teorizados, reformulados e reconstruídos devido à própria dinâmica e natureza da pesquisa. Até porque, dentro do meio científico, não é mais possível afirmar que um estudo está concluído, fechado e solucionado. Acredita-se, portanto, que sempre há e haverá novas maneiras de se analisar cientificamente um f
enômeno e propor novos olhares e posicionamentos.

Nos estudos linguísticos a situação não é diferente. Do estudo imanente, proposto primeiramente por Saussure, ao estudo discursivo e a diversidade linguística, mostrado sob uma abordagem sociolinguística, são várias as teorias que envolvem as pesquisas em torno da língua/linguagem e sua relação com aspectos extra linguísticos que foram desconsiderados, em muitos momentos, como aconteceu na abordagem dada por certos grupos intelectuais e gramáticos que caracterizam as variações linguísticas como não favoráveis ao ensino.

Desta forma, as línguas de imigrantes ainda são ensinadas, nas comunidades, tanto ideológica como metodologicamente como línguas estrangeiras, sem respeitar e tratar dos dados sócio-históricos, da origem étnicas e da hibridização interna dos dialetos com a língua institucionalizada, esses aspectos se evidenciaram quando os imigrantes vieram para o Brasil, formando pequenos grupos de origem étnicas de várias regiões dos países de origem, mesclando fatores linguísticos (dialetais) e sociocultuais (hábitos, costumes, vestimentas, alimentação e religião).

Portanto, neste estudo, quer-se mostrar um ponto de vista pluricultural em que os conceitos trabalhados em torno da diglossia (sob o enfoque do bidialetalismo) e do bilinguismo (sob a abordagem plurilíngue) sejam tomados como complexos fenômenos linguísticos que abrangem relações sociais e culturais mais amplas. A temática aparece timidamente em estudos acadêmicos e, raras vezes, é abordada em sala de aula, mesmo em nível superior. Por isso, a necessidade de rever e refletir sobre ambos os conceitos e com eles trabalhar no processo de uma linguística educativa plurilíngue no contexto escolar.

O mito do monolinguismo e as políticas linguísticas

Embora tenha havido ações coercitivas, ao longo da história linguística do país, por parte do Estado Português e, na sequência, pelo Estado Brasileiro, para a proibição das línguas autóctones e alóctones, o Brasil ainda se destaca como um país multilíngue e pluricultural.

Sabe-se que a maior parte da história linguística do país foi marcada pelas ações coibitivas que negligenciaram o multilinguismo brasileiro em busca de um país monolíngue (BORTONI-RICARDO, 2004).

Destarte, Maher (2006) mostra que o mito do monolinguismo, historicamente, consolida-se a partir da Revolução Francesa, quando aparece o conceito de Estado-Nação. Nesse período, portanto,

[…] o lema seguido foi “unidade é igual a uniformidade”. Para se ter um Estado, uma unidade política, seria preciso garantir uniformidade linguística e cultural no interior de seu território. E, assim, a aversão à diversidade linguística vai se consolidando na história. Firma-se, pouco a pouco, a noção de que o plurilinguismo seria algo nefasto, ruim, uma condição a ser combatida: o projeto de modernidade insiste na necessidade de tornar o Estado homogêneo – uma língua, uma cultura, uma religião – para garantir a continuidade da ideia de nação constituída (MAHER, 2006, p.31).

A partir disso, constroem – se alguns dos mitos que ancoram a ideologia do monolinguismo e do monoculturalismo tidos, dessa forma, como expressões de uma civilização progredida, sendo requisitos indispensáveis para a construção dos Estados Nacionais (HAMEL, 1995). Ao mesmo tempo, propiciam políticas que buscam sustentar esse cenário.

Constatam-se os, portanto, os efeitos que as políticas linguísticas coercitivas e excludentes tiveram em várias nações, evidenciando os interesses políticos, econômicos , ideológicos e sociais contidos nelas, proporcionando a desigualdade linguística e socio cultural.

Mesmo assim, o Brasil, atualmente, como os demais países do mundo, é considerado plurilíngue. Estima-se que exista no país em torno de 170 línguas indígenas, além de cerca de outras 30 comunidades de imigrantes (alemãs, italianas, polonesas, japonesas, ucranianas, árabes, chinesas, entre outras). Além disso, há a língua brasileira de sinais, LIBRAS, utilizada por toda a comunidade surda do país e também por ouvintes que convivem e comunicam-se com surdos.

No entanto, a penas em 1988 a Constituição Brasileira reconheceu o Brasil como plurilíngue, ainda faltando políticas linguísticas de reconhecimento e de resgate/preservação para que muitas línguas não desapare çam como aconteceu com a maior parte das línguas indígenas no país.

Nesse sentido, Oliveira (2003), Savedra (2003), entre outros estudiosos desta área, mencionam a necessidade da definição de uma política linguística brasileira que abranja as situações de bilinguismo decorrentes de movimentos migratórios, bem como de situações de fronteira.

Sobre o que prevê a Constituição em torno da situação do bilinguismo e das políticas linguísticas, Savedra cita que:

a) a Constuição atual em seus artigos 215 e 216 admite que o Brasil é um país pluricultural e multilíngüe; b) no Brasil coexiste um grande número de línguas de imigrantes; c) para integração cultural e lingüística das comunidades de imigrantes no território nacional pouco foi feito e ainda persiste o desprezo por minorias lingüísticas, revelando a discriminação legal para as comunidades de língua materna não portuguesa; d) a pluralidade lingüística no Brasil delineia situações diversas de bilingüismo e multilingüismo e somente a educação indígena está contemplada com propostas curriculares de educação bilíngüe na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1996 (SAVEDRA, 2003, p. 40).

Todavia, faltam às línguas de imigração voz e visibilidade para serem incluídas nos diálogos sobre o ensino de línguas, ampliando a discussão em torno dos conceitos de bilinguismo, diglossia e os fenômenos de alternância de código face às diferenças encontradas ao longo da convivência do português com as línguas minoritárias.

Cavalcanti (1999) defende a inconformidade da política linguística brasileira pela falta de observação da realidade plurilíngue e multicultural do país.
Para a autora,

Isso talvez aconteça, porque, em primeiro lugar, existe um mito de monolingüismo no país (Bortoni, 1984, Cavalcanti, 1996, Bagno, 1999). Esse mito é eficaz para apagar as minorias, isto é, as nações indígenas, as comunidades imigrantes e, por extensão, as maiorias tratadas como minorias, ou seja, as comunidades falantes de variedades desprestigiadas do português.
Em segundo lugar, uma das razões para essa estranheza pode ser decorrente de o bilingüismo estar estereotipicamente relacionado às línguas de prestígio no que se convencionou denomi
nar bilingüismo de elite. Em terceiro lugar, esses contextos bilíngües de minorias são (tornados) invisíveis
(CAVALCANTI, 1999, p. 387).

Nesse sentido, há muito ainda a ser estudado e evidenciado em torno das questões linguísticas que envolvem situações de conflitos e ideológicas que extrapolam o sistema interna da língua.

Do falante ideal ao falante real: questões em torno do bilinguismo
Como já mencionado, praticamente em todos os países coexistiram – e coexistem – várias línguas. Situação mencionada por Calvet, quando o autor trata que

Há na superfície do globo entre 4.000 e 5.000 línguas diferentes e cerca de 150 países. Um cálculo simples nos mostra que haveria teoricamente cerca de 30 línguas por país. Como a realidade não é sistemática a esse ponto (alguns países têm menos línguas, outros, muitas mais), torna-se evidente que o mundo é plurilíngue em cada um de seus pontos e que as comunidades linguísticas se costeiam, se superpõem continuamente (CALVET, 2002, p.35).

Dessa forma, ao longo do tempo e da história das línguas, pode-se notar que os falantes tiveram contatos com as mais diversificadas realidades linguísticas.

Porém, foi apenas a partir do século XX que o conceito de bilinguismo se tornou cada vez mais amplo e complexo, não havendo até a atualidade uma concordância entre

[ LEIA O TEXTO ORIGINAL COMPLETO AQUI NESTE LINK –> http://www.sociodialeto.com.br/edicoes/16/10012014015013.pdf < -- FULL ORIGINAL TEXT HERE ] Considerações finais Como a diversidade nas línguas é um fenômeno sempre presente tanto no contexto brasileiro como no exterior, discussões acerca dos conceitos que norteiam as pesquisas linguísticas e o trabalho na sala de aula devem sempre ser realizadas com o intuito de entender e abarcar melhor as questões linguísticas que vão surgindo na medida em que o mundo vai mudando. Por meio dos estudos realizados neste estudo, com relação às conceituações de bilinguismo e de diglossia sob a abordagem de estudos sociolinguísticos, houve a possibilidade de perceber que os autores estão cada vez mais preocupados em também colocar em evidência aqueles falantes que não são falantes de línguas de prestígio, desconstruindo visões que acabavam por excluir certos falantes que nada tinham de inferior em relação a outros. Enfim, os conceitos e as visões que são tomadas como ponto de partida para qualquer pesquisador, nunca devem ser vistos por estes como os únicos, os melhores ou os últimos. É por vezes necessário refletir mais sobre os mesmos, relacionando-os com a realidade social e cultural da comunidade e dos sujeitos pesquisados. Na análise dos dois contextos mencionados, percebeu-se que não há respaldo nas escolas para que contextos de bilinguismo e de diglossia que envolvem línguas minoritárias sejam trabalhados, para que sejam evitados preconceitos linguísticos e os mitos em torno destas línguas, bem como sua manutenção e valorização. Constata-se, portanto, que as línguas de imigrantes vêm desaparecendo cada vez mais de geração em geração sem que os falantes mais jovens tenham noção da riqueza linguística e cultural que estão perdendo. Defende-se que são necessárias políticas que tenham como objetivo dar maior visibilidade a essas línguas passando ao letramento das crianças tanto na língua portuguesa quanto na língua de herança que aprendem em casa ao invés de utilizar a língua portuguesa em detrimento das demais. [ Veja a seção de REFERÊNCIAS do TEXTO ORIGINAL aqui neste link --> http://www.sociodialeto.com.br/edicoes/16/10012014015013.pdf <-- see the Original texts' REFERENCES Section ] Web-R e v i s t a S O C I O D I A L E T O • w w w . s o c i o d i a l e t o . c o m . b r Bacharelado e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande M e s t r a d o e m L e t r a s • U E M S / C a m p o G r a n d e I S S N : 2 1 7 8-1 4 8 6 • V o l u m e 4 • N ú m e r o 1 1 • N o v e m b r o 2 0 1 3

Sprech! Chprech! orrer Xpreh! ?

P1040086Sprech! Chprech! orrer Xpreh! ?

O surgimento de uma escrita para o nosso Alemão Riograndense / Riograndenser Hunsrückisch irá ocorrer de forma natural e bem orgânica … e assim, esforços serão naturalmente selecionados e ou descartados, uma por serem úteis, outra por se traduzirem em obstáculos.

A palavra “jardim” tem uma versão bem particular e bem forte em nosso dialeto, um tanto distintamente apartada da pronúncia e, portanto, da grafia do termo correspondente no alemão padrão – e porque não comparar também com idiomas “irmãos”, como o inglês …

No português/uff Brasilioonisch: o jardim
No alemão-standard ou padrão / uff Hochdeitsch: der Garten
No inglês: the garden
No alemão riograndense/ uff Riograndenser Hunsrückisch: der Goorde (que bem que poderia ser grafado “tê códã”, conforme o português).

Aqui é bem importante que você entenda uma dinâmica básica prevalente no contexto histórico da língua alemã, onde se escreveu o dialeto oficial confeccionado por Martinho Lutero, enquando que, num sistema de diglocia, cada região continuou “falando” informalmente de seu jeito. Este elo foi quebrado no sul do Brasil pelo Estado Brasileiro que forçou em termos gerais um factual analfabetismo generalizado em sua população de língua alemã.

Como resultado, as pessoas passaram a utlizar-se da língua portuguesa para a escrita, ficando o dialeto alemão somente uma língua falada, digamos tecnicamente, ela permaneceu mas como uma língua ágrafa, figurativamente falando, órfã de uma escrita germânica correspondente.

Agora estão surgindo propostas para que esse dialeto Riograndenser Hunsrückisch ganhe uma escrita própria, uma escrita que reflita particularidades como terminologia emprestada do português, e mesmo a construção de frases (construções correntes que são simplesmente inaceitáveis no alemão-padrão) que já existiram no sudoeste da Alemanha na época do início da imigração quase dois séculos atrás, e que existe ainda hoje nos dialetos como o Pfälzisch, Hessisch, Saarländisch, Hunsrücker Platt, e outros do mesmo tronco franco (Rheinfränkisch bem como Moselfränkisch, cortado pela famosa e histórica linha linguística DAS/DAT [esta linha tem vários nomes]).

As propostas de uma escrita para o dialeto Riograndenser Hunsrückisch em particular basicamente se dividem em dois tipos de proposta – uma prima pelo isolamento da população germano-falante do sul do Brasil, a outra por uma permanência e interatividade com o mundo germanófono. Na minha opinião as propostas baseadas em uma grafia que na prática se aparta e se isola do mundo teutófono estão fadadas ao desaparecimento, em um contexto histórico elas desaparecerão como tentativas excêntricas atraentes especialmente aos olhos de formadores de opinião fortemente influenciados por ideologias proselitistas.

A grande atual revolução sem precedentes nos meios de comunicação que permite a interação como jamais na história da humanidade irá tomar conta de uma forma bastante “seamless” (um termo do inglês) desse desafio.

Gostou do assunto? Não deixe de ler este importantíssimo documento:
“Fundamentos para uma escrita do Hunsrückisch falado no Brasil” por
Cléo V. Altenhofen, Jaqueline Frey, Maria Lidiani Käfer, Mário S. Klassmann, Gerson R. Neumann, Karen Pupp Spinassé
http://www.hunsriqueano.riolingo.com/blog/?p=504

-Paul Beppler / Riograndenser Hunsrückisch Community Admin.

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Tante Iria Welter sprecht Riograndenser Hunsrückisch (Hunsriggisch Platt Deitsch) in Roque Gonzales, RS – Brasilien.

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Paul Beppler / Riograndenser Hunsrückisch Community Admin.
7. August 2014
Seattle, WA – USA.

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