Teste informal na Alemanha de conhecimentos do dialeto Hunsricker Platt (vídeo em Alemão):

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No vídeo abaixo (ver o link no final deste post) um entrevistador pegunta duas falantes do dialeto Pälzisch (chamado de Pfälzisch no Hochdeutsch/Alemão padrão) que é tipo um dialet

o-vizinho do Hunsrücker Plattdeitsch, do qual deriva o Riograndenser Hunsrückisch, o Hunsriqueano Brasileiro… ele pergunta elas se elas sabem o que quer dizer uma frase falada em vídeo, o qual ele mostra para elas para que procurem decifrar seu significado…A frase falada no referido vídeo no dialeto da região do Hunsrück, no sudoeste da Alemanha, no Hunsrücker Plattdeitsch:

“Wenn die Em-beere, Brem-beere, und Wäle zeirrich sin, dann wäre se gebroch, und wead Schlee draus gemacht, dann kamma sich im Winder en schen siss Schmear draus mache.”

Tradução ao Hochdeutsch:

“Wenn die Himbeeren, Brombeeren, und Heidelbeeren reif sind, werden sie gepflückt und es weard Marmelade daraus gemacht damit man sich im Winter ein süsses Marmeladen Brot machen kann.”

Traduzido em português brasileiro:
“Quando as framboesas, as amoras, e os mirtilos estão maduros, eles são colhidos, e faz-se deles uma geléia para que no inverno seja possível para a gente preparar um [lindo =] delicioso pão com geléia.”

(Isto é, poder comer uma fatia de pão, geralmente caseiro, com geléia/Schimier, o que geralmente é apreciado como parte do café da manhã tradicional e reforçado, ou como uma pequena merenda feita de tarde, entre o almoço e o jantar; no Riograndenser Hunsrückisch o Schmier é o nome tanto da geléia, o doce e si, como também é o nome da fatia de pão cortada e preparada com uma cobertura de Schimier passada sobre ela, o que é feito logo antes dela ser consumida).

“Em-beere” no Hunsrücker Platt europeu = “Himbeere” no Hochdeutsch/Alemão padrão = “framboesa” em português. Confira estas informações citadas neste dicionário de regionalismos dialeto alemão do Palatinado, no Pfälzisches Wörterbuch: http://woerterbuchnetz.de/cgi-bin/WBNetz/wbgui_py?sigle=PfWB&lemid=PE01400

“Brem-beere” no Hunsrücker Platt = “Brombeere” no Hochdeutsch = “amora” em português. Confira estas informações citadas neste dicionário de regionalismos do dialeto alemão do Palatinado, no Pfälzisches Wörterbuch: http://woerterbuchnetz.de/cgi-bin/WBNetz/wbgui_py?sigle=PfWB&lemid=PB05929

“Wähle” ou “Wäle” ou “Weele” em Hunsrücker Platt = “Heidelbeere” no Hochdeutsch = “mirtilo” ou “arando” ou ainda mas acho que mais em Portugal, “uva-do-monte”. Trata-se de uma frutinha silvestre ou Waldbeere natural do Hemisfério Norte. O nome dialetal do mirtilo em alemão do Hunsrique possivelmente tenha origens no latim, por ele ser azul, pode ser que derive do termo “Viola” do latim (violeta em português). Confira estas informações citadas neste dicionário de regionalismos do dialeto alemão do Palatinado, no Pfälzisches Wörterbuch:
http://woerterbuchnetz.de/cgi-bin/WBNetz/wbgui_py?lemid=PW00302&mode=Vernetzung&hitlist&patternlist&bookref=6%2C1026%2C17&sigle=PfWB

Algumas palavras mencionadas no vídeo que merecem tradução pois podem ser incompreendidas por falantes do Hunsriggisch Platt brasileiro:

Quiz = teste (é um anglicismo, um empréstimo bem difundido no alto alemão moderno, ele do inglês; há todo um grupo de palavras no alemão atual que, apesar de utilizadas com muita frequência, são bastante recentes, adições à língua digamos nos anos pós-guerra, como por exemplo “Job” = emprego, “Cool” = legal, bacana, etc. )

net (pronunciado nêt) = ser, mostrar-se simpático (por exemplo, du bist net = Você é simpático); é diferente de “net”, pronunciado mais aberto, como “nét”, que é o informal “não!”, ou “né?”…

reif = neste caso madudo (mas pode significar algo curtido, batido, sazonado, etc.; ainda, “Reif” com inicial maiúscula singnifica geada).

Siss-Schmier/geléia, doce

Sirop (Sirup em Hochdeutsch) = melado

“Grunbeere” (=”Grund”+”Beeren”) é alemão dialetal para “Kartofeln” ou “die Katoffle”

“Gebroch” (ipsis verbis traduzido = quebrado) significando

“Gepflückt” de “pflücken” = “colher” em Hochdeutsch/Hochdeitsch

-Paul Beppler

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NOVIDADE: Forlibi – Fórum Permanente das Línguas Brasileiras de Imigração

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CELSUL: Fórum das Línguas Brasileiras de Imigração é lançado na Unioeste

ENVIADO POR ACS EM SEX, 26/10/2012 – 09:01

O blog tem como objetivo fortalecer as línguas de imigrantes

O Brasil apresenta uma diversidade de línguas e falares resultantes da colonização e do contato entre as diferentes culturas. Os pesquisadores têm hoje o desafio de ampliar o espaço de divulgação da realidade plurilinguística. Preocupando-se em criar um ambiente de socialização e troca de informações sobre as línguas de imigração, o Fórum Permanente das Línguas Brasileiras de Imigração (Forlibi) está sendo lançado na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Campus de Cascavel, no evento do curso de Letras, o X Círculo de Estudos Linguísticos do Sul (Celsul), que termina hoje (26.10).

O Forlibi é um blog – www.forlibi.blogspot.com.br – que tem como objetivo fortalecer as línguas de imigração e dar mais visibilidade a elas. “O Fórum é um espaço representativo para essas línguas, as quais estavam à sombra, sem voz. Acreditamos que o momento é propício para a divulgação do Fórum, o qual propicia não apenas voz às línguas de imigração, como também contribui para que a sociedade aprenda e dar ouvidos. É um mecanismo de articulação entre diferentes línguas trazidas de fora que envolve tanto membros da comunidade como pesquisadores”, explica Cléo Altenhofen, um pesquisador de grande importância para a área da variação linguística.

Para os pesquisadores, o Grupo de Trabalho sobre Plurilinguismo e Contatos Linguísticos, do Celsul, é uma prova de que o Forlibi é importante para o fortalecimento das línguas de imigração. Foram apresentados trabalhos de diversas regiões do Brasil, tais como Bahia, Amazonas, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo, entre outras. Pesquisadores de diversas cidades do país falaram sobre línguas de imigração como alemão, ucraniano, polonês, pomerano, indígenas, africanas, entre outras.

O Fórum foi criado por Ana Sheli Altamiranda e pela professora Rosangela Morello, membros do Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (Ipol), pelo professor Cléo Altenhofen, representante da URGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) – Letras e representante do dialeto hunsrickisch; Sintia Küster e Evandro Kuth, da prefeitura de Santa Maria de Jetibá, Espírito Santo e representantes do pomerano; Paulo Massolini, presidente da Federação das Associações Ítalo-Brasileiras (Fibras), do Rio Grande do Sul e representante do talian.

Ana Sheli explica que no blog serão publicados materiais sobre as línguas de imigração, assim como as leis que oficializam ou reconhecem essas línguas. “O Forlib é uma ferramenta para que as línguas de imigração se fortaleçam e tenham mais visibilidade”, esclarece.

Texto: Wânia Beloni

Publicado em: Unioeste – Cascavel, Paraná – Brasil

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